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“Está na hora de voltar ao Brasil”

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Never say never. Essa expressão vai ser meu lema de agora em diante. Por um simples motivo: há algumas semanas, eu e minha esposa decidimos voltar ao Brasil, depois de 11 anos vivendo no Canadá. Durante muito tempo, achamos que nunca mais sairíamos daqui. Até bem pouco tempo atrás, o Canadá era o lugar onde eu passaria o resto da minha vida. Brasil? Nunca mais. Era o que eu repetia para mim mesmo, e para os outros. Qualquer notícia ruim vinda dos trópicos era motivo para não voltar nunca mais. E quando você está fora, só vê as notícias ruins. Afinal, isso ajuda a justificar sua decisão. É o tal do “viés de confirmação”. E aqui estou eu, preparando as malas para voltar ao Rio. Feliz da vida. Mas como assim? Como explicar essa loucura? Tudo mudou de uma hora para outra? A decisão surgiu com um estalo: está na hora de voltar. Mas esse estalo acontece na hora em que muitas peças de um grande quebra-cabeças, que vai se formando ao longo dos anos, se encaixam de forma precisa. São fragmentos que vão se juntando aos poucos, durante meses, anos, sem que a gente perceba nitidamente. É tudo muito sutil. Mas, de repente, você vê diante dos seus olhos uma imagem clara: uma vida que parece perfeita quando vista de uma certa perspectiva passa a aparentar suas imperfeições quando vista de outro ângulo. É nesse momento que o expatriado descobre que está na hora de mudar. Mas mudar não significa necessariamente voltar. Afinal, Brasil nunca mais, não é? O problema é que, na maioria dos casos, os inconvenientes de uma vida fora do próprio país só podem ser superados voltando para a terrinha. Ir para outro lugar não é solução. E que inconvenientes são esses? O IDIOMA Passar a maior parte do tempo tendo que se expressar em uma língua que não é a sua língua materna é extenuante. Se você fala algum outro idioma, experimente um dia se comunicar apenas nessa outra língua. Agora multiplique isso por 11 anos. Você vai dizer que a gente se acostuma. Sim, é verdade, a gente se acostuma a tudo nessa vida. Mas cansa. Por mais fluente que você seja, o seu vocabulário em outra língua nunca será tão rico. Muitas vezes você percebe que o seu cérebro está fazendo um esforço incrível tentando achar palavras para expressar aquilo que, em português, já está na ponta da língua. Obviamente isso varia de pessoa para pessoa, depende do tempo que você está fora e de outros fatores. Mas é um inconveniente considerável – e insuperável. Ainda mais em um lugar onde você precisa se expressar em duas línguas que não são a sua, como é o caso do Québec, província de origem francesa, cercada de províncias de língua inglesa, onde o francês e o inglês são parte obrigatória do seu dia-a-dia. Lembro de um episódio que retrata bem a realidade de muitos que trabalham aqui. Fazia mais ou menos quatro anos que estava no Canadá, tinha terminado um projeto e estava na hora de apresentar o relatório final para o cliente. O cliente, que falava francês, tinha pedido o relatório em inglês. Três horas de apresentação. Três horas lendo o texto em inglês, processando-o na cabeça em português e falando em francês. Na hora das perguntas, o processo se invertia. No final das três horas, estava exausto, destruído fisica e mentalmente. A CULTURA Não existe sensação mais constrangedora do que entender o que as pessoas estão dizendo, entender as palavras sendo ditas, mas não compreender as referências, as intenções por trás, as sutilezas de interpretação, porque elas não fazem parte da sua cultura. São coisas que o estrangeiro, por mais conhecedor que seja do ambiente nunca vive, nunca vai entender completamente. Nenhum estrangeiro consegue entender ou visualizar as referências culturais da mesma maneira que os locais. E isso faz falta quando você deseja virar um local. Você simplesmente não tem um passado ali. Você estudou, aprendeu – mas não criou laços naturais nem memórias afetivas nascidas organicamente. Para esse lugar onde você mora, será sempre como se você tivesse nascido com 20, 30 ou 40 anos – uma pessoa com bagagem cultural e referências emocionais muito menores do que quem cresceu ali. No início, isso parece bobagem. Depois a bobagem começa a machucar, principalmente quando você se dá conta de que isso não é coisa que se aprende. Isso é coisa que se vive, que se sente, que se tem ou nao se tem. Ponto. A DISTÂNCIA Talvez esse seja o principal inconveniente. Distância da família, distância dos amigos. A internet é uma benção. O Skype e o FaceTime ajudam. Mas uma boa conversa, cara a cara, um bom abraço e um beijo, um papo gostoso em uma mesa de bar, um olhar, não podem (ainda) ser substituídos. E fazem falta. Como fazem. E não é uma visita de tempos em tempos que consegue suprir a falta do contato humano com aqueles que nos são caros. Quando dá aquela vontade de abraçar seu pai, sua mãe, um amigo querido, e saber que isso não está ao seu alcance, dá um baita aperto no peito. Quando moramos fora, temos que saber esperar. Esperar seis meses, um ano ou mais. E aprender também que o próximo encontro pode acontecer tarde demais. Poderia terminar aqui. Para mim, esses três fatores já seriam suficientes para justificar a vontade de voltar. Mas não dá para deixar de falar sobre um ponto específico de quem mora no Canadá – ou no Norte do planeta de modo geral: o frio. O Canadá é um país maravilhoso. Montreal, uma cidade incrível. No verão. Se você gosta de passar oito meses no frio, e de três a quatro meses com temperaturas dignas do Pólo Norte, não pense duas vezes, Montreal é o seu lugar. E se você gosta de mais frio, durante mais tempo, o Canadá está repleto de outras ótimas cidades procurando imigrantes. Mas se você nasceu e cresceu no calor tropical, viver com casacos, botas, luvas e outros apetrechos invernais (e infernais!), vai virando, aos poucos, ao longo dos anos, uma tortura diária sem fim. O mês de fevereiro de 2015 foi o mais frio da história, segundo o departamento de estatísticas canadense. Nem pinguim saiu de casa. Estou falando de 30 graus negativos, de domingo a domingo. Por fim, tem também o estilo de vida. Por mais que os seus valores correspondam aos valores do novo país, que é o meu caso, isso não significa que sua vida será melhor. Aos poucos, você se dá conta do que é ser brasileiro. E de que tudo aquilo que deixou para trás pode, sim, lhe fazer a maior falta. Então chega uma hora em que cada um desses detalhes, que inicialmente pareciam pequenos quando colocado lado a lado aos problemas básicos que enfrentamos no Brasil, como segurança, educação, saúde, começa a crescer e tomar proporções gigantescas. Até que você decide fazer o inimaginável quando deixou o país: deixar tudo no exterior e voltar para casa. Isoladamente, nenhum daqueles fatores lhe fariam fazer as malas. Mas juntos eles lhe fazem perceber que a construção e a manutenção da felicidade é muito mais complexa do que pensamos. A própria percepção de onde fica a sua casa, e de se saber fora de casa, pesa muito. Cada caso é diferente e cada pessoa tem a sua história. Conheço pessoas que não vão voltar nunca. Mas também conheço muitas que guardam escondido bem no fundo do peito uma vontade doida de voltar. Vou sentir falta de muitas coisas daqui, com certeza. Coisas incríveis que o Canadá me proporcionou e que me fizeram feliz durante esses anos todos. Mas a vida é feita de escolhas e de momentos. Chegou a minha hora de reviver as imperfeições do Brasil, perto da família, dos amigos, falando português, voltando a sentir calor e a brisa do mar bater no rosto.
Por Marcio Leibovitch


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O que acontece quando você vive no exterior

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O texto a seguir é uma tradução de “What happens when you live abroad“, da Chelsea Fagan. 

Uma característica muito comum de pessoas que vivem no exterior é encontrá-los amontoados em bares e restaurantes, falando não apenas sobre a sua terra natal, mas sobre a experiência de sair. E por incrível que pareça, esses grupos de expatriados não são necessariamente todos dos mesmos países de origem, muitas vezes, a mera experiência de mudança de local e cultura é suficiente para conectá-los e construir as bases de uma amizade. Eu conhecia uma quantidade razoável de expatriados – de diferentes períodos de estadia – nos Estados Unidos, e é reconfortante ver que aqui na Europa, os bares de “estrangeiros” são tão predominantes e preenchidos com a mesma vibração quente e nostálgica.

Mas uma coisa que, sem dúvida, existe entre todos nós, algo que permanece não-dito em todos os nossos encontros, é o medo. Há um medo palpável em viver em um novo país, e embora seja mais agudo nos primeiros meses, até mesmo anos, da sua estadia, nunca evapora completamente ao longo do tempo. Ele simplesmente muda. A ansiedade que já foi concentrada em como você vai fazer novos amigos, se ajustar e dominar as nuances da linguagem tornou-se a questão repetida “O que eu estou perdendo?”. Conforme você se estabelece em sua nova vida e novo país, conforme o tempo passa e se torna menos uma questão de há quanto tempo você está aqui e mais uma de há quanto tempo você se foi, você percebe que a vida em casa seguiu sem você. As pessoas cresceram, mudaram, se casaram, se tornaram pessoas completamente diferentes – e você também.

É difícil negar que o ato de viver em outro país, em outro idioma, muda você fundamentalmente. Diferentes partes da sua personalidade se destacam, e você assume qualidades, maneirismos e opiniões que definem as novas pessoas ao seu redor. E não há nada de errado nisso, muitas vezes é parte da razão pela qual você partiu, em primeiro lugar. Você queria evoluir, mudar alguma coisa, para colocar-se em uma desconfortável situação nova que iria forçá-lo a entrar numa nova fase de sua vida.

Então, muitos de nós, quando deixamos nossos países de origem, queremos escapar de nós mesmos. Construímos enormes redes de pessoas, bares e cafés, de argumentos e exes e os mesmos cinco lugares de novo e de novo, dos quais sentimos que não podemos nos libertar. Há muitas pontes que foram destruídas, ou amor que se tornou azedo e feio, ou restaurantes em que você comeu tudo no menu pelo menos dez vezes – a única maneira de escapar e tornar a sua ficha limpa é a ir a algum lugar onde ninguém saiba quem você foi, e nem vá perguntar. E, embora seja extremamente refrescante e estimulante sentir que você pode ser quem você quiser ser e vir sem a bagagem do seu passado, você percebe o quanto de “você ” foi mais baseado em localização geográfica do que qualquer outra coisa.

Andar pelas ruas sozinho e jantar em mesas para um – talvez com um livro, talvez não – em que você fica sozinho por horas, dias a fio com nada além de seus próprios pensamentos. Você começa a falar sozinho, perguntando coisas a si mesmo e respondendo-as, e fazendo as atividades do dia com uma lentidão e uma apreciação que você nunca antes sequer tentou. Até ir apenas ao supermercado – estando em um empolgante lugar novo, sozinho, em um novo idioma – é uma atividade emocionante. E ter que começar do zero e reconstruir tudo, ter que reaprender a viver e realizar atividades diárias como uma criança, fundamentalmente lhe altera. Sim, o país e seu povo terão o seu próprio efeito sobre quem você é e o que você pensa, mas poucas coisas são mais profundas do que simplesmente começar de novo com o básico e confiar em si mesmo para construir uma vida de novo. Eu ainda tenho que encontrar uma pessoa que eu não ache que se acalmou com a experiência. Há uma certa quantidade de conforto e confiança que você ganha consigo mesmo quando você vai para este lugar novo e começa tudo de novo, e uma noção de que – aconteça o que acontecer no resto da sua vida – você foi capaz de dar esse passo e pousar suavemente pelo menos uma vez.

Mas existem os medos. E sim, a vida continuou sem você. E quanto mais tempo você ficar em seu novo lar, mais profundas essas mudanças se tornarão. Feriados, aniversários, casamentos – cada evento que você perde de repente se torna uma marcação em uma resma de papel sem fim. Um dia, você simplesmente olha para trás e percebe que tanta coisa aconteceu na sua ausência, que tanta coisa mudou. Você acha cada vez mais difícil iniciar conversas com as pessoas que costumavam ser alguns dos seus melhores amigos, e piadas internas se tornam cada vez mais estranhas – você se tornou um estranho. Há aqueles que ficam tanto tempo fora que nunca podem voltar. Todos nós conhecemos o expatriado que está em seu novo lar há 30 anos e que parece ter quase substituído os anos perdidos longe de sua terra natal com total imersão apaixonada em seu novo país. Sim, tecnicamente eles são imigrantes. Tecnicamente a sua certidão de nascimento iria colocá-los em uma parte diferente do mundo. Mas é inegável que qualquer que seja vida que eles deixaram em casa, eles nunca poderiam juntar todos os pedaços. Essa pessoa antiga se foi, e você percebe que a cada dia você se aproxima um pouquinho mais de você mesmo se tornar essa pessoa – mesmo se você não quiser.

Então você olha para sua vida, e os dois países que a seguram, e percebe que agora você é duas pessoas distintas. Por mais que seus países representem e preencham diferentes partes de você e o que você gosta na vida, por mais que você tenha formado laços inquebráveis com pessoas que você ama em ambos os lugares, por mais que você se sinta verdadeiramente em casa em qualquer um, você está dividido em dois. Para o resto de sua vida, ou pelo menos você se sente assim, você vai passar seu tempo em um incômodo anseio pelo outro, e esperar até que você possa voltar por pelo menos algumas semanas e mergulhar de volta à pessoa que você era lá. Leva-se muito tempo para conquistar uma nova vida para si mesmo em algum lugar novo, e isso não pode morrer, simplesmente porque você se moveu ao longo de alguns fusos horários. As pessoas que lhe acolheram no país delas e tornaram-se sua nova família, eles não vão significar menos para você quando você está longe.

Quando você vive no exterior, você percebe que, não importa onde você esteja, você sempre será um expatriado. Sempre haverá uma parte de você que está longe de sua casa e jaz adormecida até que possa respirar e viver com todas as cores de volta ao país onde ela pertence. Viver em um lugar novo é algo belo e emocionante, e pode lhe mostrar que você pode ser quem você quiser – em seus próprios termos. Pode dar-lhe o dom da liberdade, de novos começos, de curiosidade e empolgação. Mas começar de novo, entrar naquele avião, não vem sem um preço. Você não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo e, a partir de agora, você sempre ficará acordado em certas noites e pensará em todas as coisas que você está perdendo em casa.

Ruínas do Terceiro Reich

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Esse tema é de longe o mais complicado a ser pesquisado em terras alemãs. Simplesmente porque tudo referente a II Guerra Mundial se tornou proibido. Pra você ter uma idéia, se você digitar a palavra “Hitler” no youtube, todos os videos estão bloqueados com a mensagem “conteúdo indisponível no seu país”.

Sempre fui um aficcionado pelo tema “II Guerra Mundial”. São dezenas de filmes, documentários e livros na minha estante. Tudo que envolva as batalhas e o material bélico da época, faço questão de assisitir ou ler mais e mais, tanto que um dos meus hobbys é o Plastimodelismo Militar. Sim montar e pintar “aviãozinho de guerra” (termo usado pela maioria dos leigos)

Na minha primeira visita a Alemanha, isso muito antes de pensar em morar por aqui, cheguei acreditando que iria ter acesso a todo poderio bélico remanescente da década de 40. Na primeira oportunidade, lá estava eu questionando a população local: “Onde posso encontrar tanques Panzers? E os aviões Messerschmitt ? A reação de todos era sempre a mesma, negativar com a cabeça e já mudar de assunto.
Eu não entendia o motivo de tanta antipatia e aversão. Passei a entender depois que deixei de usar o visto de turista no meu passaporte, no dia que passei a viver o dia-a-dia dos alemães.

Uma coisa é certa, tudo o que foi feito à 70 anos atrás, foi pago e continua sendo pago por todas as gerações seguintes. Acredito que isso ainda irá permanecer por mais um século. Você nunca irá ver um alemão discutindo na rua com pessoas de outras etnias. Como assim? Calma, vou explicar exemplificando com um episódio que eu já vi dentro do metro. Um grupo de adolescentes turcos gritavam dentro do metro, gritavam é uma forma de ser educado, eles estavam “zaralhando”. Um senhor alemão, se aproximou com dificuldades e pediu para que falassem um pouco mais baixo, automaticamente o grupo de adolescentes começou a gritar “Sai daqui seu nazista! Sai daqui!”. Naquele dia comecei a entender o peso da bagagem que os alemães carregam, e passei a fazer minha pesquisa sozinho, usando apenas a internet como base.

Numa dessas pesquisas, encontrei o site: http://www.thirdreichruins.com (está todo em inglês).
Depois disso foi extremamente fácil encontrar todos os prédios e ruínas da época. Era só seguir o passo-a-passo feito pelo Geoff Walden (autor do blog).

Munique teve uma grande importância, pois foi a Capital do Movimento – o berço do Partido Nazista. Durante todo o período do Terceiro Reich, Munique continuou sendo a capital espiritual do movimento nazista, com edifícios sede, museus para abrigar as formas de obras aprovadas por Adolf Hitler, além de ter sido o local escolhido para a tentativa do golpe nazista em novembro de 1923.

Vou tentar descrever esses locais históricos:

Já escrevi sobre “Eagle Nest” ou Kehlsteinhaus (em alemão) ou “Ninho da Águia”. É uma casa de montanha de Adolf Hitler situada a 1834m de altitude, no topo da montanha Kehlstein. Encomendada por Martin Bormann como um presente de Aniversário de 50 anos para o líder do Partido Nacional Socialista Adolf Hitler, tornou-se um dos destinos turísticos mais populares no sul da Alemanha.
Atualmente a Kehlsteinhaus abriga um excelente restaurante, com uma vista deslumbrante e onde encontramos os melhores e mais tradicionais pratos da Bavária. O nome de “Ninho da Águia” talvez se deva à sua localização dada a altura ser propícia para as Águias edificarem os seus ninhos, ou a Adolf Hitler ser considerado a Águia da Alemanha, ou de alguma forma remediar ao fato do brasão da Alemanha Nazista constar uma Águia. Mas admito que qualquer uma dessas hipóteses possam ser meras conjecturas minhas.

Hofbräuhaus: A mundialmente famosa cervejaria Hofbräuhaus, localizado na Platzl 9, foi palco de várias reuniões nazistas e alguns dos discursos mais memoráveis ​​de Hitler. Inclusive foi o local de um dos atentados contra Hitler.

Kriegerdenkmal: O Memorial está localizado no Hofgarten. Um grande bloco de pedra, com o slogan “Sie werden aufstehen” (Eles irão se levantar), abrange uma área com uma cripta rebaixada, mostrando uma escultura de um soldado alemão preparado para o enterro. O memorial foi erguido em 1924-1926 em memória aos 13.000 “filhos heróicos de Munique” que caíram na Primeira Guerra Mundial, entre 1914-1918. Após a Segunda Guerra Mundial, uma inscrição no memorial foi acrescentada para os 22.000 soldados mortos e 11.000 desaparecidos, além das 6.600 vítimas dos bombardeios aliados em Munique entre 1939-1945.

Löwenbräukeller: localizado na Nymphenburger Straße 4, foi outro local favorito para os primeiros encontros e discursos do Partido Nazista.

Park Café:  Localizado na Sophienstraße 7, foi construído em 1935-1937 no local do antigo Palácio de Vidro de Munique, que pegou fogo em 1931. O Park Café exibia o estilo neo-clássico preferido pelos nazistas, e era ponto de encontro frequente de Hitler.

Dachau: foi estabelecido nas dependências de uma fábrica abandonada de munição, próxima à parte nordeste da cidade de Dachau, a cerca de 15 quilômetros ao noroeste de Munique, no sul da Alemanha. Foi o primeiro campo de concentração, servindo de modelos para os demais, inclusive como centro de treinamento para os soldados da SS. Dachau chegou a abrigar mais de duzentos mil prisioneiros, sendo a maioria presos politicos, artistas e opositores ao regime nazista. Com um Estado Totalitário, não seriam aceitos aqueles que manisfestassem um pensamento ideológico contrário ao Socialismo Nacionalista de Hitler, que o mesmo afirma em sua biografia: “A lei natural de toda evolução não permite a união de dois movimentos diferentes, mas assegura a vitoria do mais forte e a criação do poder e da força do vitorioso, o que só se pode conseguir por meio de uma luta incondicional (HITLER, 2005, p.257).”

Os judeus que passaram a ser perseguidos, perderam seus direitos políticos e sociais, foram declarados inimigos políticos e consequentemente também foram enviados para Dachau.
Diferente de Auschwitz II (Birkenau), que era um Campo de Extermínio, Dachau era considerado no início, um presídio comum. No entanto, nos ultimos anos da guerra, seus presos passaram a ser fuzilados ou enforcados. Cerca de trinta mil pessoas morreram em Dachau. O campo chegou a possuir uma câmara de gás, mas não há registros de que tenha sido usada.

Minha única visita a Dachau foi feita na Primavera em um dia com Sol e Céu azul, nem por isso o clima ficou menos pesado. Com a frase “Arbeit Macht Frei” (o trabalho liberta) no portão de entrada, é impossível o visitante não se colocar no lugar de um dos 200 mil presos que por ali passaram.

Em Dachau, como em outros campos nazistas, os médicos alemães realizavam experiências médicas nos prisioneiros, tais como testes de alta altitude usando câmaras de descompressão, experimentos com malária e a tuberculose, hipotermia, e testes experimentais para novos remédios e vacinas que servissem aos alemães. Os prisioneiros também eram forçados a serem cobaias em testes de métodos de dessalinização da água e de estancamento de perda de sangue excessivo. Centenas de prisioneiros morreram ou ficaram permanentemente incapacitados como resultado destas experiências.

No dia 26 de abril de 1945, já próximo da data da chegada das Forças Norte-Americanas ao local, os Guardas da SS obrigaram mais de 7.000 prisioneiros, a maioria deles judeus, a iniciarem a chamada “marcha da morte”, uma caminhada que ia de Dachau à Tegernsee, bem mais ao sul. Durante a mencionada marcha, os guardas alemães atiravam em qualquer pessoa que não conseguísse continuar a andar; muitos outros morreram de fome, de frio e exaustão. Três dias depois, as forças norte-americanas libertaram Dachau e uma semana depois libertaram os prisioneiros sobreviventes que haviam sido levados para a marcha da morte

Monumento em homenagem aos prisioneiros que se suicidaram na cerca eletrificada.

Cervejas da Oktoberfest

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Você sabia que apenas 06 Cervejarias participam da Oktoberfest e todas são de Munique ? A escolha segue o estatuto da festa: é preciso ter tradição comprovada e seguir as leis de pureza de Munique e da Alemanha. As eleitas são:AugustinerPaulanerHofbräuSpaten-FranziskanerHacker Pschorr eLowenbrau.

A cerveja por excelência do Oktoberfest é conhecida como Märzen, porque se produz em Março (März em alemão). A Cerveja Märzen é um pouco mais forte que a média das cervejas. No séc. XVII os produtores de Cerveja bávaros inventaram um sistema de produção que evitava a perda do sabor e da quantidade de álcool da Cerveja para que se pudesse beber entre Setembro e Outubro.

AUGUSTINER
As Augustiner mais conhecidas são a Augustiner Helles (5,2%) clara e suave, e a Edelstoff (5,6%) um pouco mais forte e doce. Outro destaque desta marca é a Augustiner Weissbier, a tradicional do Oktoberfest. Esta última e a Edelstoff são as únicas que são servidas nos tradicionais barris de madeira.
Festhalle (tenda) onde pode encontrar: Augustiner Festhalle e Fischer-Vroni.

PAULANER
A Cerveja do Oktoberfest é a Paulaner Amber (5,8%), menos forte que as restantes Cervejas que se servem no Oktoberfest e provavelmente a mais famosa. Tem uma caractrística cor ambar escura e um sabor mais suave que as outras Cervejas que se podem beber na Festa.
Festhalle (tenda) onde pode encontrar: Armbrustschützenzelt, Winzerer Fähndl e Wies’n Käfer de Schänke.

HOFBRÄU
Em 2008 ganhou a medalha de ouro no Festival Mundial da Cerveja. E como resistir a provar uma das melhores Cervejas do mundo? Hofbräu, tal como a Spaten-Franziskaner, produzem uma Märzen ligeira, elaborada exclusivamente para satisfazer a variedade do público internacional da Oktoberfest.
Festhalle (tenda) onde poderá encontrar: Hofbrau Festzelt.

SPATEN-FRANZISKANER
As suas Cervejas mais famosas são a Pils (0,5%) que foi a primeira cerveja elaborada em Munique, e Oktoberfestbier (5,7%) que é mais forte e com uma cor mais “pálida”. A Cerveja especial desta marca é a Diät Pils (4,9%), pode ser consumida por diabéticos pois só tem 32 calorias. Sim, também se pode manter a dieta no Oktoberfest.
Festhalle (tenda) onde poderá encontrar: Hipodromo, Schottenhammel, Ochsenbraterei / Spatenbräu

HACKER-PSCHORR

Hacker-Pschorr fermenta três vezes mais do que uma Cerveja normal, o resultado é uma Oktoberfest Märzen (5,8%) com um agradável sabor ainda que ligeiramente amargo, que combina bem com a comida servida no Festhalle.
Festhalle (tenda) onde poderá encontrar: Hacker-Festzelt, Bräurosl

LOWENBRAU
A sua especialidade para o Festival é a Wiesenbier (6,1%) que se refere ao nome Oktoberfest para os bávaros “Wiesn”. A Wiesenbier é clara, brilhante e tem um teor alcoólico superior à média.
Festhalle (tenda) onde a pode encontrar: Schützen-Festzelt, Lowenbrau-Festhalle.

# NÃO SE ESQUEÇA: a Cerveja servida na Oktoberfest é mais forte do qualquer outra cerveja que você já bebeu na sua vida, ainda mais sendo servida em Canecas (Mass) de 1 litro. A notícia boa é que a ressaca é zero.

Castelo de Linderhof

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O Castelo Linderhof (Schloss Linderhof) é o menor dos três Castelos construídos pelo Rei Luis II da Baviera, mas o único que o monarca viu concluído. Esse Castelo além de ter uma bela arquitetura, impressiona pelo cenário. Amplos jardins, lago, fontes, cascatas e uma gruta artificial com rochas iluminadas que emolduram um lago menor.

As melhores vistas do Castelo Linderhof são as dos terraços e do templo de Vênus no outro lado desta piscina. Note-se a grande árvore impedindo a simetria – esta com 300 anos de idade, limoeiro ( Linde ) deu o palácio seu nome e não foi arrancada por insistência do Rei Ludwig II.
Atrás do palácio tem uma enorme cascata, onde a água cai por longos 30 degraus.O parque tem várias outras estruturas, aberto apenas no Verão, incluindo:

  • A Gruta de Vênus (Venusgrotto) – uma caverna artificial baseado no primeiro ato da ópera de Wagner Tannhäuser .
  • O Pavilhão Mourisco (Maurischer) – originalmente parte da Feira Mundial de Paris 1867, porém mais comprado depois pelo Rei Ludwig para o parque de Linderhof.
  • A Casa Marroquina (Marokkanisches Haus) – comprado por Ludwig II na Feira Mundial de Paris 1878, mas só erguido em Linderhof Park, em 1998.

Dica: aproveite e faça a visita aos dois Castelos (Neuchwanstein e Linderhof) no mesmo dia, pois a distância entre ambos é pequena.

Como ir: Trem de Munique (Estação Central) para Oberammergau, depois o ônibus 9622 de Oberammergau para Linderhof.

Tarifas e Zonas do Metro (S-Bahn)

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Algum tempo atrás, escrevi um tópico sobre o Sistema de transporte de Munique, inclusive com um mapa de todas as linhas. Agora vou explicar como funcionam as tarifas.
Os mapas abaixo serão úteis e não se assuste com a quantidade de informações nos mapas.

(Mapa 1) http://4.bp.blogspot.com/-RByE_MbiziE/Tst2KUfxSUI/AAAAAAAACa0/YHFMWmQ2gJg/s1600/munich_sbahn_map.jpg

(Mapa 2) http://www.mvv-muenchen.de/fileadmin/media/Dateien/plaene/pdf/TARIFPLAN_Plan_ENGLISCH_2012_Gesamt.pdf

(Mapa 3) http://www.mvv-muenchen.de/fileadmin/media/Dateien/plaene/pdf/TARIFPLAN_Handout_Innen_2012.pdf

Exemplo: digamos que estou em Petershausen e quero ir até Marienplatz (Centro da cidade). No Mapa 1, você já sabe que Petershausen fica no final da linha S2.
No Mapa 2, você pode observar que Petershausen fica no final do anel 12. Portanto você irá pagar 12 zonas. Nos terminais eletronicos para a compra de Tickets, você vai colocar a opção:
Diária, 03 dias, Semanal ou Mensal, depois disso irá colocar da Zona 12 até a Zona 01.
Lembrando que as estações dentro da area BRANCA (Mapa 01) estão na area “Inneraum” (Interna).
No Mapa 2, estão representadas pelas zonas de 1 a 4.
Se você está dentro dessa “area branca” você irá usar o Mapa 3.

Calma, respira..acredite, não é dificil. Mesmo tendo Mapa 1, Mapa 2 e Mapa 3, o sistema funciona perfeitamente e de forma prática. Essa contagem de anéis é mais importante para quem compra o Ticket Semanal ou Mensal. Se for o Ticket diário ou o para 3 dias, você só precisa saber se você irá ficar no “Inneraum” ou na “München XXL”.

Segue abaixo os preços para o Ticket diário (Tageskarten):
Sozinho: 5,60 € (Inneraum – Interno) e 7,50 € (München XXL – Externo)
Familia: 10,20 € (Inneraum – Interno) e 13,10 € (München XXL – Externo)

Não se esqueça que esses valores são das 06hs da manhã até às 06hs do dia seguinte (24hs), ida e volta, podendo usar em todos os transportes públicos (metro, bonde e onibus) e diversas vezes durante o mesmo dia. O Ticket-Familia é para 05 adultos, cada 02 crianças equivalem a 01 adulto.

Na dúvida, é só escrever que terei o prazer em ajudá-lo.

Eagle Nest “Ninho da Águia”

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Berchtesgaden

Em 4 de maio 1945, a Terceira Divisão de Infantaria atingiu a cidade turística de Berchtesgaden e de lá tomou um caminho estreito até Obersalzberg, uma subida com cerca de 1.200 metros. A captura do “Ninho da Águia” seria simbólica, pois os 315 bombardeiros britânicos já haviam pulverizado praticamente todo o complexo nazista. Além da possibilidade de capturar lideres do Terceiro Reich, era uma questão de honra para os soldados americanos. Algo semelhante aconteceu com a bandeira em Iwo Jima, em Fevereiro daquele mesmo ano. Isso sem contar com as Adegas do Marechal Hermann Göring, que construiu uma casa de férias perto do Berghof.
A subida ate o “Kehlsteinhaus” (Ninho da Águia) é um passeio inesquecível, tamanha a beleza do local Quando você chega no topo da montanha, você entende o motivo de Hittler ter passado grande parte de seus 12 anos como Führer (às vezes até 06 meses em 1 ano), em uma casa chamada de Alpine Berghof. Todo o vale do Berghof foi o Untersberg, uma montanha que se diz conter a alma imortal do imperador Carlos Magno, que havia conquistado a maioria da Europa cristã no Século IX.
Dica importante: o “Ninho da Águia” NÃO funciona no Inverno !
A estrada de acesso ao topo da montanha é estreita, feita somente pelos ônibus credenciados.
Para esse passeio, temos dezenas de empresas turisticas que operam na região e cobram uma média de 100 euros por pessoa, isso mesmo..100 EUROS ! (trem até Berchtesgaden, ticket do onibus e guia).
A dica que posso passar é ir na Estação Central (Hauptbahnhof), comprar o “Bayrisch Ticket” para o trem.
Com esse “ticket da Bavária” você e mais quatro pessoas poderão ir ate Berchtesgaden e voltar por 29 euros (válido de 6 da manhã até às 6 da manhã do dia seguinte). Essa viagem de trem tem a duração de mais ou menos 1 hora.
Nesse vídeo que fiz, você pode ter uma ideia de como é essa viagem
Na estação de Berchtesgaden, tem onibus saindo a cada 20minutos para Obersalzberg. Esse onibus já está incluso no “Bayrisch Ticket”. Essa viagem tem a duração de 20 minutos.
Chegando em Obersalzberg, temos o “Dokumentation Obersalzberg“. Além de ser o ponto de partida do tal ônibus que irá percorrer os 1200metros de subida até “Eagle Nest”, temos diversos documentos e fotos da época, e visitação aos acessos do bunker. Se não me engano, o ticket para esse “Centro de Documentação” custa uns 3 euros e o ônibus uns 15 euros.
Nota: “Com base no acordo entre o governo do Estado da Baviera e as forças americanas ocupacionais, as ruínas do Berghof, as casas de Göring e Bormann, a creche, o quartel da SS, a Kamphäusl chamado (onde Mein Kampf, vol . 2 foi escrito) e casa de chá de Hitler foram explodidos. Assim como bunker de Hitler em Berlim, o governo não quer deixar monumentos que poderiam se tornar locais de peregrinação para os neonazistas”.
IMPORTANTE: A estrada que dá acesso a Eagle Nest é estreita e feita apenas pelos onibus credenciados no local. Por questões de segurança, a estrada é fechada normalmente, em Novembro e reabre no fim de Março/Abril. Não existe uma data anual certa, tudo depende das condições climáticas locais. De qualquer forma, o aviso com as datas é publicado no site com umas duas semanas de antecedência.
Maiores informações no site: