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Um bate-papo com o Ulisses Neto da Jovem Pan Online no Hofbräuhaus (Munique)

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“Munique tem muito mais do que ‘apenas’ a festa da cerveja mais famosa do mundo. Mas, mesmo que muito longe de outubro, não é possível evitar uma cerveja na capital da Baviera. Até porque, a bebida – que aqui tem status de alimento indispensável na dieta local – é a desculpa ideal para começar uma boa conversa. Abaixo, mais um trecho do bate-papo com o arquiteto Leo Cunha, que mora em Munique há cinco anos e foi meu cicerone por um dia. Na sequência, mais alguns registros da cidade que é modelo da eficiência alemã.” Ulisses Neto

O copo ideal

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Cada cerveja proveniente das diversas regiões alemãs, seja de trigo, clara ou escura, requer copos específicos que ressaltam o sabor, sobrepõem os aromas e ajudam a formar a melhor espuma.

 

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Não é nenhum segredo que a Alemanha é uma das principais produtoras de cerveja. Mas qual a maneira correta de degustar a bebida? Muitas vezes o segredo se resume à espuma do topo. O formato cônico do copo ajuda a manter o aroma, enquanto um copo fininho preserva o frescor.

 

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Para os cervejeiros de Colônia estes copos de 20 cl são essenciais. O termo Kölsch (adjetivo referente a Köln, nome de Colônia em alemão) é restrito a cervejarias dentro e nos arredores de Colônia. Garçons carregam bandejas circulares com alças cheias de Kölsch e trocam constantemente os copos cheios pelos vazios. Se você não quer beber mais, tampe o copo.Para os cervejeiros de Colônia estes copos de 20 cl são essenciais. O termo Kölsch (adjetivo referente a Köln, nome de Colônia em alemão) é restrito a cervejarias dentro e nos arredores de Colônia. Garçons carregam bandejas circulares com alças cheias de Kölsch e trocam constantemente os copos cheios pelos vazios. Se você não quer beber mais, tampe o copo.

 

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Assim como os rivais às margens do Reno, os moradores da vizinha Düsseldorf também têm uma especialidade, a Altbier. O copo também comporta 20 cl, mas é mais curto e largo que o de Colônia. E como a Altbier é de alta fermentação, o sabor ficaria choco se fosse servida em copos largos, diz um produtor. “No copo correto, a ‘Alt’ solta seu aroma e forma uma espuma compacta.”
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“Um copo de pilsen se estreita em direção à boca do copo, para que o aroma de lúpulo alcance o nariz”. “Isto melhora o sabor da cerveja.” Alguns copos são apenas cilíndricos, outros, como o da foto, têm o formato de tulipa. O pedestal da base é somente ornamentação e não influencia o sabor da bebida.

 

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A cerveja típica da Oktoberfest ou “helles” é servida em uma caneca de um litro, chamada “Mass”. Originalmente de cerâmica, estas canecas são produzidas para resistir às diversas rodadas de brindes e celebrações. Quando vazias, elas pesam mais de um quilo cada uma! Imagine então o quanto elas ajudam a delinear os músculos quando estão cheias! Prosit!

 

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Os copos da “Hefeweizen”, a cerveja clara de trigo, são altos e sinuosos. O elevado teor de dióxido de carbono forma a espuma na parte superior da bebida. Para isso, a cerveja deve ser derramada no copo vagarosamente. O diâmetro ampliado no topo do copo acomoda a espuma extra, assim como seus aromas florais.

 

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Até mesmo os soldados de Napoleão levantaram seus copos para brindar a “champanha do norte”. Uma fermentação especial à base de culturas de ácidos lácticos dá à “Berliner Weisse” sua característica borbulhante e de sabor único, geralmente complementada com um toque de framboesa ou xarope de aspérula (Waldmeister). O copo amplo serve para acomodar bem a espuma.

 

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Todos os detalhes do copo da “Schwarzbier”, a cerveja escura, celebram a experiência da degustação. A forma, a espessura e o tratamento dado à borda do vidro salientam o sabor. O formato amplo da boca do copo permite exalar melhor a nota de castanha torrada, chocolate e pão fresco. O formato também ajuda na manutenção da espuma, encorajando a degustar a bebida devagar.

 

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Ao beber a “Bönnsch”, da cidade de Bonn, os amantes de cerveja seguram em suas mãos pequenas obras-primas inspiradas pelo designer Luigi Colani. A “Bönnsch” é uma versão não filtrada da “Kölsch”. Apesar de não alterar o sabor da bebida, o copo é mais popular que a própria cerveja, especialmente entre turistas que procuram por um souvenir diferente, diz o dono da cervejaria.

 

Munique – Cidade do estilo de vida

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Knödel, Strudel, Schmankerl e cerveja – saboreando Munique

 

Comidas típicas da Baviera nos restaurantes e cervejarias, assim como especialidades de outros países nos Ristorantes, Sushibars e Tavernas, convidam para um tour de descobertas culinárias por Munique.

Antes de partir para uma volta ao mundo pela gastronomia internacional de Munique, é recomendável tomar uma deliciosa cerveja de Munique e testar um tradicional “Schmankerl”.

Seis grandes cervejarias fazem a fama da cidade como metrópole da cerveja: Augustiner, Hacker-Pschorr, Löwenbräu, Paulaner, Spaten e Staatliches Hofbräuhaus. Seja em um “Biergarten”, ao ar livre, na Oktoberfest, quando é servida a cerveja mais forte “Starkbier”, ou nos restaurantes tradicionais da cidade, não faltam oportunidades para provar a variedades de cervejas de Munique durante todo o ano.

Uma típica cervejaria de Munique serve pratos bem servidos em todas as variações. Quem prefere porções menores, pode pedir um “Brotzeit”, uma espécie de lanche bávaro: Rettich e Radieschen, dois tipos de rabanete, salsichas e queijo, pão Brezen fresquinho e pão preto, com “Schmalz”, um patê com gordura de porco, ou cebolinhas – tudo isso acompanhado de uma cerveja tirada na pressão, ou de um caneco de Radler, uma mistura de cerveja com refrigerante.

Muitos dos mistérios da cozinha internacional também podem ser descobertos em Munique: o amor pela cozinha “exótica” na cidade começou com os primeiros contatos com a Itália e outros países europeus. Hoje, diversas tratorias, restaurantes e bares, além de tavernas e bistrôs, já são considerados casas tradicionais de Munique. Atualmente, a escolha vai desde a costa do Atlântico até o Extremo Oriente, dando uma volta ao mundo pelas cozinhas da Europa até a Ásia ou África.

Slow or Fast – tradicional ou fusion, leve ou pesada, “haute cuisine” ou “Brotzeit” – a oferta abrange especialidades para todos os gostos. O ambiente também pode ser escolhido de acordo com as preferências, seja um templo gastronômico, um restaurante típico ou um café da moda.

É claro que a escolha número um continua sendo o clássico do verão, os “Biergarten”, onde os habitantes de Munique dividem com visitantes do mundo inteiro a mesma mesa e o mesmo banco nas cervejarias ao ar livre. À sombras das castanheiras, o cliente não só é servido com bebidas geladas, cerveja e especialidades bávaras, mas pode até mesmo trazer sua própria comida – uma particularidade da Baviera.

Já na primavera, começa a “quinta estação do ano”, cuja origem é a arte da fabricação de cerveja: a época católica do jejum é também a época da “Starkbier”, uma cerveja forte com maior teor de malte e álcool. Seguindo a tradição, durante o mês de março, todas as cervejarias da cidade servem esta cerveja muito nutritiva, que foi justamente criada por monges de Munique para suportar melhor as agruras da fase em jejum. O programa também inclui música e dança, completando a alegria.

 

As dez cervejas mais populares na Alemanha

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Com suas quase 1.400 cervejarias, a Alemanha é um dos maiores consumidores de cerveja do mundo, atrás apenas dos tchecos e pertinho dos austríacos. Conheça as marcas mais populares.

10º lugar – Erdinger Weissbier

A cervejaria Erdinger Weissbier Privatbrauerei existe desde 1886 e tem sede em Erding, na Baviera. A linha de produtos vai desde a tradicional cerveja de trigo até cervejas sem álcool, bocks de trigo e a “Urweisse”, cerveja de trigo um pouco mais escura, produzida seguindo a receita original bávara e que vem numa garrafa clássica.dscf1890

9º lugar – Radeberger Pilsner

A cervejaria fica em Radeberg, na Saxônia. A marca é conhecida pela longa tradição de sua cerveja tipo pilsen. A decisão de criar a cerveja foi de cinco amigos em 1872, enquanto tomavam vinho. Eles não entendiam nada de cerveja, mas queriam uma melhor do que as que havia na época. A ideia era fazer uma cerveja nos moldes da feita em Pilsen, na República Checa, a 250 quilômetros de Raderberg.radeberger-pilsener-dresden

8º lugar – Paulaner

A cervejaria Paulaner tem sede em Munique, na Baviera, e produz cervejas desde 1780. Conhecida principalmente pela Oktoberfest e pelo Bayern de Munique, é uma marca de grande reputação. Seu nome vem da Paulanerorden (Ordem dos Mínimos), uma ordem religiosa fundada por São Francisco de Paula. Os membros dessa ordem já fabricavam cerveja para consumo próprio desde 1634.

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7º lugar – Hasseröder

A sede fica em Hasserode, um bairro de Wernigerode, no estado da Saxônia-Anhalt. A fábrica existe desde 1872 e produz cervejas tipo pilsen, export e preta, além da tradicional Fürstenbräu, fabricada sob licença do príncipe de Stolberg-Wernigerode.

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6º lugar – Beck’s

A tradicional cervejaria surgiu em Bremen em 1873. A marca é conhecida por suas cervejas tipo export e bebidas que misturam cerveja com refrigerante. Há mais de dez anos ela está nas mãos da Anheuser-Busch InBev, com sede em Löwen, na Bélgica.

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5º lugar – Veltins

Esta marca especializada em cerveja tipo pilsen e misturas de cerveja com outras bebidas existe desde 1824 e fica em Grevenstein (Renânia do Norte-Vestfália). Um aspecto interessante é que a caixa de cerveja da Veltins foi desenhada em cooperação com o estúdio de design da Porsche.

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4º lugar – Warsteiner

A cervejaria com sede em Warstein (Renânia do Norte-Vestfália) existe desde 1753 e oferece, além da pilsen Warsteiner Premium, outras misturas de pilsen, como a Radler Grapegruit (com toranja), a Warsteiner Lemon (com limão) e a Warsteiner Ginger (com gengibre).

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3º lugar – Bitburger

A medalha de bronze das marcas preferidas na Alemanha vai para a Bitburger, um dos patrocinadores da seleção alemã de futebol. A sede fica em Bitburg (Renânia-Palatinado), onde a Bitburger Pils é fabricada desde 1817. Além dela, são fabricadas cervejas sem álcool e misturas com refrigerantes, o que atrai especialmente a clientela jovem.

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2º lugar – Krombacher

A medalha de prata das dez cervejas mais populares na Alemanha vai para esta cervejaria de Krombach, distrito de Kreuztal, na Renânia do Norte-Vestfália. Desde 1803 são produzidas lá, além da tradicional pilsen, muitas outras variedades, como uma cerveja de trigo, uma escura e uma “Radler”, misturada com refrigerante sabor limão.

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1º lugar – Oettinger

A sede do grupo fica em Oettingen, na Baviera. Há ainda fábricas em Gotha (Turíngia), Mönchengladbach (Renânia do Norte-Vestfália) e Braunschweig (Baixa Saxônia). A Oettinger produz 25 tipos de cerveja e dez bebidas de baixo teor alcoólico. Ao longo dos anos, conquistou fama de produzir cerveja barata – no preço e, para alguns, também na qualidade. É a marca mais vendida desde 2004.

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Lembrando que esse Top 10 é das mais POPULARES (mais vendidas).
Nao confunda com as melhores cervejas da Alemanha. 🙂

 

 

Mitos e fatos da Reinheitsgebot, a ‘lei de pureza da cerveja alemã’

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A Reinheitsgebot, nome moderno dado à lei de 1516 que transformou a água, a cevada e o lúpulo nos únicos ingredientes permitidos para a cerveja na Baviera, vai completar meio milênio de existência no ano que vem, cercada de falta de conhecimento, mitos e besteiras repetidas à exaustão por entusiastas das cervejas artesanais. Por outro lado, continua sendo vista, e tratada, como um patrimônio do mundo cervejeiro, tanto que há um grupo de cervejeiros alemães empenhado em torná-la patrimônio da humanidade.

Poucas pessoas entendem realmente a sua origem e suas implicações. Mesmo a maioria das cervejarias que dizem segui-la não a respeitam de verdade a lei de pureza. Para começar, é necessário separar a lei de 1516 da atualmente vigente. São completamente distintas.

A lei promulgada pelo duque Guilherme IV da Baviera, em 23 de abril de 1516, não tinha nome e não incluía as leveduras, que só mais tarde, no século 19, foram reconhecidas como protagonistas da fermentação, pelos estudos de Louis Pasteur, e o termo “cevada” (gersten) foi substituído por “malte de cevada” (gerstenmalz). Em 1918, quando da formação da República de Weimar, ela foi batizada de “Reinheitsgebot” ou “exigência de pureza”.

Dizem seus adeptos que ela é a mais antiga lei de controle de alimentos do mundo ainda em vigor. Seria, se ainda estivesse em vigor de fato. Ocorre que, recentemente, por influências da União Européia (que considerava a Reinheitsgebot uma norma protecionista, e a derrubou em 1987) e para se adaptar ao mercado moderno ela acabou sofrendo drásticas modificações, fazendo hoje parte do “German Tax Code”.

Com o passar dos anos a Reinheitsgebot aumentou a sua abrangência, mas desde a decisão da Corte Europeia, ela não atinge a produção de cerveja voltada ao mercado externo. Aliás, muitos de vocês ficariam pasmos de saber que a produção de cervejas com arroz para exportação foi uma grande característica das cervejarias alemães que certamente contribuíram para o “enfraquecimento” da cerveja no século passado. Não abrange também cervejas produzidas fora da Alemanha e por cervejeiros caseiros. A Reinheitsgebot atual, aliás, libera o uso de açúcar. E, tecnicamente, pode piorar a qualidade da cerveja, com as limitações ao tratamento da água, ao uso de nutrientes para as leveduras, à adição de gás carbônico, ao tratamento das leveduras para reutilização, e dos lúpulos para evitar aromas desagradáveis.

Fora isso, não se pode dizer sequer que ela é a lei do tipo mais antiga da Alemanha. Em Augsburg, em 1156, havia uma lei muito mais diretamente ligada à qualidade da bebida, que determinava que o cervejeiro que fizesse cerveja ruim teria que doá-la aos pobres, ou simplesmente jogá-la fora. Outras legislações cervejeiras apareceram em Nuremberg em 1293, em Munique em 1363 até que em 1447 surgiu a limitação dos ingredientes, ignorada pelos cervejeiros por 40 anos, até que o duque Albrecht IV (pai de Guilherme IV) repetiu a ordem, que aparece em outra lei em 1493. Todas essas normas vieram antes da Reinheitsgebot, que, pelo visto, não trouxe grandes novidades.

É importante notar que a lei de 1516 não era sequer uma lei “alemã”, era uma lei “bávara”. Existe uma tendência, hoje em dia, de classificar os estilos cervejeiros por “escolas” seguindo as fronteiras atuais, que inexistiam séculos atrás. A região norte do que hoje é a Alemanha não estava sujeita a lei da Baviera, e assim permaneceram por quase quatro séculos, até a unificação, produzindo estilos que não se enquadravam nas restrições, como as gose de Leipzig (que têm adição de sal e coentro) e as berliner weisse (que usam trigo).

Falando em trigo… um dos motivos que destrói o argumento de que a Reinheitsgebot seria uma regra para manter a “qualidade da cerveja” é a exclusão do trigo como ingrediente. Esse é um dos indicativos mais claros do contexto político e econômico que gerou a lei. O trigo está na gênese da história cervejeira alemã, tanto que os vestígios mais antigos de fabricação da bebida naquela região, encontrados no sítio arqueológico próximo ao vilarejo de Kasendorf, em Kulmbach, datados de cerca de 800 a.C. são de uma cerveja de trigo escura.

Na época da promulgação da lei, o monopólio da produção das cervejas de trigo era privilégio da casa nobre de Degenberg. Ao proibir o trigo, o duque Guilherme IV, que pertencia à casa de Wittelsbach, deu um golpe fatal na saúde financeira dos rivais, como conta Horst Dornbusch, uma das principais autoridades na história da cerveja alemã. Somente em 1602, quando Sigismund Degenberg morreu sem deixar herdeiros, as propriedades da família foram passadas ao clã reinante e – surpresa! – as weissbiers voltaram a ser legalizadas, pelo duque Maximilian I, bisneto de Guilherme IV.

Nunca é demais ressaltar que, além de não ostentar desde o início o nome pelo qual se tornou um fenômeno de marketing das cervejarias, a maior parte do texto da Reinheitsgebot trata puramente de controle de preços. Além de motivações locais, essa preocupação com o tabelamento pode estar relacionada ao prelúdio da chamada “Revolução dos Preços” que afetou a Europa Ocidental entre o fim do século 15 e o começo do século 17, como demonstra o economista Douglas Fisher no ensaio “The Price Revolution: A Monetary Interpretation”, publicado em 1989 no World Journal of Economic History.

Outras razões de ordem econômica, mais específicas, já foram apresentadas por diversos autores. A necessidade de resguardar o trigo e o centeio para a fabricação de pães é frequentemente destacada, ainda que não haja fontes documentais contemporâneas muito precisas quanto a este ponto. Mais bem documentado é o poder que a Igreja Católica havia obtido por meio do “grutrecht”, o direito de distribuir e conceder permissão para uso do “gruit”, a (suposta) mistura de ervas que antecedia o lúpulo como elemento de tempero e conservação da cerveja. Instituir o lúpulo foi uma forma de retomar o controle sobre as novas cervejarias que começaram a proliferar.

Havia mais um fator econômico a respeito do lúpulo. Sem contar um outro fator fundamental: as cervejas bávaras perdiam de lavada a disputa no comércio marítimo para as cidades integrantes da Liga Hanseática, que haviam adotado o lúpulo há cerca de um século e meio, e tinham suas cervejas exportadas com sucesso para Amsterdam e outros portos europeus. Ao adotá-lo como ingrediente básico, longe de estar na vanguarda de qualquer coisa, a Baviera estava no máximo tentando alcançar os concorrentes. E isso quando as cervejas lupuladas de Einbeck – chamadas jocosamente de bock – já começavam a invadir a região.

Enfim, a crítica básica à Reinheitsgebot é bem simples, na realidade. Deriva do “misticismo” em torno dela, que gera uma admiração pueril. O que mais se vê são cervejarias afirmando com orgulho que “seguem a lei de pureza alemã de 1516″… A maioria, provavelmente em sua ignorância, a desrespeita nas entrelinhas dos rótulos.

Para comparação, seguem os textos, traduzidos para o inglês:

A lei de 1516:

We hereby proclaim and decree, by Authority of our Province, that henceforth in the Duchy of Bavaria, in the country as well as in the cities and marketplaces, the following rules apply to the sale of beer:

From Michaelmas to Georgi, the price for one Mass [Bavarian Liter 1,069] or one Kopf [bowl-shaped container for fluids, not quite one Mass], is not to exceed one Pfennig Munich value, and From Georgi to Michaelmas, the Mass shall not be sold for more than two Pfennig of the same value, the Kopf not more than three Heller [Heller usually one-half Pfennig].

If this not be adhered to, the punishment stated below shall be administered. Should any person brew, or otherwise have, other beer than March beer, it is not to be sold any higher than one Pfennig per Mass. Furthermore, we wish to emphasize that in future in all cities, markets and in the country, the only ingredients used for the brewing of beer must be Barley, Hops and Water. Whosoever knowingly disregards or transgresses upon this ordinance, shall be punished by the Court authorities’ confiscating such barrels of beer, without fail. Should, however, an innkeeper in the country, city or markets buy two or three pails of beer (containing 60 Mass) and sell it again to the common peasantry, he alone shall be permitted to charge one Heller more for the Mass of the Kopf, than mentioned above. Furthermore, should there arise a scarcity and subsequent price increase of the barley (also considering that the times of harvest differ, due to location), WE, the Bavarian Duchy, shall have the right to order curtailments for the good of all concerned.

Signed: Duke Wilhelm IV of Bavaria on April 23, 1516 in Ingolstadt.

A lei atual, do código tributário de 1993:

Only barley malt, hops, yeast and water may be used for the brewing of bottom-fermented beer, with the exceptions contained in the regulations in paragraphs 4 to 6.
The brewing of top-fermenting beer underlies the same regulations, however other malts may be used and the use of technically pure cane, beet or invert sugars as well as dextrose and colouring agents derived from these sugars is allowed.
Malt shall be taken to mean: any grain that has been caused to germinate.
The use of colouring beers, if brewed from malt, hops, yeast and water, in the preparation of beer is allowed but is subject to special supervisory measures.
Hop powder, hops in other milled forms and hop extracts may be used in brewing, so long as these products comply with the following requirements:
Hop powder and other milled hop forms, as well as hop extracts must be produced exclusively from hops.
Hop extracts must:
contribute the same flavouring and bittering substances to the wort as would have been contributed had hops been simmered with the wort.
fulfil the requirements of the German Pure Food Laws.
only be added to the wort before or during the simmering phase.
Only materials which act mechanically or by absorption and are thereafter removable, leaving no, or only such residue in the beer which is of no health, taste or odour concern may be used to clarify beer.
Upon request, in individual cases, such as the preparation special beers and beers intended for export or scientific experiments, exceptions to the requirements of paragraphs 1 and 2 can be made.
The requirements of paragraphs 1 and 2 are not applicable to brewing for personal consumption (home brewing).
After establishing the original extract content in the fermenting room, water may not be added to beer without permission of the customs office. The customs office can permit the brewer to add water to beer after the original extract content has been established in the fermenting room, provided the appropriate precautionary measures have been observed. Beer wholesalers or publicans are, under no circumstances, allowed to add water to beer.
Brewers, beer wholesalers or publicans are not allowed to mix beers of different original extract contents nor to add sugar to beer after the beer tax has been calculated. The Finance Minister can allow exceptions by decree.
For the production of top-fermenting simple or very low original extract content beer, according to the Additive Authorisation Regulation (…)

Cervejas da Oktoberfest

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Você sabia que apenas 06 Cervejarias participam da Oktoberfest e todas são de Munique ? A escolha segue o estatuto da festa: é preciso ter tradição comprovada e seguir as leis de pureza de Munique e da Alemanha. As eleitas são:AugustinerPaulanerHofbräuSpaten-FranziskanerHacker Pschorr eLowenbrau.

A cerveja por excelência do Oktoberfest é conhecida como Märzen, porque se produz em Março (März em alemão). A Cerveja Märzen é um pouco mais forte que a média das cervejas. No séc. XVII os produtores de Cerveja bávaros inventaram um sistema de produção que evitava a perda do sabor e da quantidade de álcool da Cerveja para que se pudesse beber entre Setembro e Outubro.

AUGUSTINER
As Augustiner mais conhecidas são a Augustiner Helles (5,2%) clara e suave, e a Edelstoff (5,6%) um pouco mais forte e doce. Outro destaque desta marca é a Augustiner Weissbier, a tradicional do Oktoberfest. Esta última e a Edelstoff são as únicas que são servidas nos tradicionais barris de madeira.
Festhalle (tenda) onde pode encontrar: Augustiner Festhalle e Fischer-Vroni.

PAULANER
A Cerveja do Oktoberfest é a Paulaner Amber (5,8%), menos forte que as restantes Cervejas que se servem no Oktoberfest e provavelmente a mais famosa. Tem uma caractrística cor ambar escura e um sabor mais suave que as outras Cervejas que se podem beber na Festa.
Festhalle (tenda) onde pode encontrar: Armbrustschützenzelt, Winzerer Fähndl e Wies’n Käfer de Schänke.

HOFBRÄU
Em 2008 ganhou a medalha de ouro no Festival Mundial da Cerveja. E como resistir a provar uma das melhores Cervejas do mundo? Hofbräu, tal como a Spaten-Franziskaner, produzem uma Märzen ligeira, elaborada exclusivamente para satisfazer a variedade do público internacional da Oktoberfest.
Festhalle (tenda) onde poderá encontrar: Hofbrau Festzelt.

SPATEN-FRANZISKANER
As suas Cervejas mais famosas são a Pils (0,5%) que foi a primeira cerveja elaborada em Munique, e Oktoberfestbier (5,7%) que é mais forte e com uma cor mais “pálida”. A Cerveja especial desta marca é a Diät Pils (4,9%), pode ser consumida por diabéticos pois só tem 32 calorias. Sim, também se pode manter a dieta no Oktoberfest.
Festhalle (tenda) onde poderá encontrar: Hipodromo, Schottenhammel, Ochsenbraterei / Spatenbräu

HACKER-PSCHORR

Hacker-Pschorr fermenta três vezes mais do que uma Cerveja normal, o resultado é uma Oktoberfest Märzen (5,8%) com um agradável sabor ainda que ligeiramente amargo, que combina bem com a comida servida no Festhalle.
Festhalle (tenda) onde poderá encontrar: Hacker-Festzelt, Bräurosl

LOWENBRAU
A sua especialidade para o Festival é a Wiesenbier (6,1%) que se refere ao nome Oktoberfest para os bávaros “Wiesn”. A Wiesenbier é clara, brilhante e tem um teor alcoólico superior à média.
Festhalle (tenda) onde a pode encontrar: Schützen-Festzelt, Lowenbrau-Festhalle.

# NÃO SE ESQUEÇA: a Cerveja servida na Oktoberfest é mais forte do qualquer outra cerveja que você já bebeu na sua vida, ainda mais sendo servida em Canecas (Mass) de 1 litro. A notícia boa é que a ressaca é zero.