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Category Archives: Dicas Munique

NÃO VIAJO PORQUE SOU RICO, VIAJO PORQUE ME PROGRAMO

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“Nossa, como você viaja tanto, deve ser rico”. Eu já perdi a conta de quantas vezes ouvi essa frase ou algo parecido e eu respondo: Não sou rico, não tenho um super salário, mas sou organizado e me planejo.

A vida é feita de escolhas: se sair de balada é o que você mais gosta de fazer, você de certa forma trabalha para isso. Se você curte cinema e coleciona DVDs e Blu-rays, você trabalha para isso. Viajar é a minha maior paixão, essa é a minha prioridade.

Viajar também não significa luxo. Ir para Londres não quer dizer que você ficará hospedado no Ritz, não quer dizer que você voará de primeira classe ou que vai comer nos restaurantes mais caros. As pessoas tem uma concepção um pouco errada de viagens.

Todas as minhas viagens eu começo a me planejar com até 7 meses de antecedência, pesquisando lugares, acompanhando o preço das passagens e hotéis. Monto um orçamento base para saber quanto eu vou precisar para a tal viagem. Divido esse valor pelos meses até data da viagem e assim eu sei de quanto dinheiro vou precisar economizar todos os meses para poder viajar.

Se eu preciso economizar X dinheiros por mês, eu não vou ao cinema toda semana, não vou comer no meu restaurante favorito todo sábado. Já parou pra pensar quanto custa no fim do mês aquele cafezinho com um docinho depois do almoço? Faça as contas!

Não falo de abrir mão das coisas boas da vida e “deixar de viver” para juntar dinheiro, falo de saber equilibrar os forninhos para em sete meses, estar embarcando rumo ao destino dos sonhos. Se você é como eu, vai pensar muito antes de comprar um iPhone 6, sabendo que com esse dinheiro dá para comprar uma passagem para qualquer canto do mundo.

É muito comum ir chegando a data das férias e você decidir para onde vai viajar em cima da hora. Erro fatal! Os preços estarão lá em cima e como você não se planejou, vai ter que parcelar a viagem em sabe-se lá quantas vezes. Aquela dívida no cartão de crédito vai te acompanhar por meses e te impedir de poupar para sua próxima viagem.

Viajar com regularidade requer foco e objetivo. Essa é a sua prioridade? A vida é cheia de escolhas e se viajar é a sua prioridade, comece a pensar mais nisso antes de ter aquele descontrole no shopping e sair de lá com bolsas e mais bolsas de compras, trocar de celular a cada 6 meses ou mergulhar em dívidas para andar de carro novo.

“Está na hora de voltar ao Brasil”

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Never say never. Essa expressão vai ser meu lema de agora em diante. Por um simples motivo: há algumas semanas, eu e minha esposa decidimos voltar ao Brasil, depois de 11 anos vivendo no Canadá. Durante muito tempo, achamos que nunca mais sairíamos daqui. Até bem pouco tempo atrás, o Canadá era o lugar onde eu passaria o resto da minha vida. Brasil? Nunca mais. Era o que eu repetia para mim mesmo, e para os outros. Qualquer notícia ruim vinda dos trópicos era motivo para não voltar nunca mais. E quando você está fora, só vê as notícias ruins. Afinal, isso ajuda a justificar sua decisão. É o tal do “viés de confirmação”. E aqui estou eu, preparando as malas para voltar ao Rio. Feliz da vida. Mas como assim? Como explicar essa loucura? Tudo mudou de uma hora para outra? A decisão surgiu com um estalo: está na hora de voltar. Mas esse estalo acontece na hora em que muitas peças de um grande quebra-cabeças, que vai se formando ao longo dos anos, se encaixam de forma precisa. São fragmentos que vão se juntando aos poucos, durante meses, anos, sem que a gente perceba nitidamente. É tudo muito sutil. Mas, de repente, você vê diante dos seus olhos uma imagem clara: uma vida que parece perfeita quando vista de uma certa perspectiva passa a aparentar suas imperfeições quando vista de outro ângulo. É nesse momento que o expatriado descobre que está na hora de mudar. Mas mudar não significa necessariamente voltar. Afinal, Brasil nunca mais, não é? O problema é que, na maioria dos casos, os inconvenientes de uma vida fora do próprio país só podem ser superados voltando para a terrinha. Ir para outro lugar não é solução. E que inconvenientes são esses? O IDIOMA Passar a maior parte do tempo tendo que se expressar em uma língua que não é a sua língua materna é extenuante. Se você fala algum outro idioma, experimente um dia se comunicar apenas nessa outra língua. Agora multiplique isso por 11 anos. Você vai dizer que a gente se acostuma. Sim, é verdade, a gente se acostuma a tudo nessa vida. Mas cansa. Por mais fluente que você seja, o seu vocabulário em outra língua nunca será tão rico. Muitas vezes você percebe que o seu cérebro está fazendo um esforço incrível tentando achar palavras para expressar aquilo que, em português, já está na ponta da língua. Obviamente isso varia de pessoa para pessoa, depende do tempo que você está fora e de outros fatores. Mas é um inconveniente considerável – e insuperável. Ainda mais em um lugar onde você precisa se expressar em duas línguas que não são a sua, como é o caso do Québec, província de origem francesa, cercada de províncias de língua inglesa, onde o francês e o inglês são parte obrigatória do seu dia-a-dia. Lembro de um episódio que retrata bem a realidade de muitos que trabalham aqui. Fazia mais ou menos quatro anos que estava no Canadá, tinha terminado um projeto e estava na hora de apresentar o relatório final para o cliente. O cliente, que falava francês, tinha pedido o relatório em inglês. Três horas de apresentação. Três horas lendo o texto em inglês, processando-o na cabeça em português e falando em francês. Na hora das perguntas, o processo se invertia. No final das três horas, estava exausto, destruído fisica e mentalmente. A CULTURA Não existe sensação mais constrangedora do que entender o que as pessoas estão dizendo, entender as palavras sendo ditas, mas não compreender as referências, as intenções por trás, as sutilezas de interpretação, porque elas não fazem parte da sua cultura. São coisas que o estrangeiro, por mais conhecedor que seja do ambiente nunca vive, nunca vai entender completamente. Nenhum estrangeiro consegue entender ou visualizar as referências culturais da mesma maneira que os locais. E isso faz falta quando você deseja virar um local. Você simplesmente não tem um passado ali. Você estudou, aprendeu – mas não criou laços naturais nem memórias afetivas nascidas organicamente. Para esse lugar onde você mora, será sempre como se você tivesse nascido com 20, 30 ou 40 anos – uma pessoa com bagagem cultural e referências emocionais muito menores do que quem cresceu ali. No início, isso parece bobagem. Depois a bobagem começa a machucar, principalmente quando você se dá conta de que isso não é coisa que se aprende. Isso é coisa que se vive, que se sente, que se tem ou nao se tem. Ponto. A DISTÂNCIA Talvez esse seja o principal inconveniente. Distância da família, distância dos amigos. A internet é uma benção. O Skype e o FaceTime ajudam. Mas uma boa conversa, cara a cara, um bom abraço e um beijo, um papo gostoso em uma mesa de bar, um olhar, não podem (ainda) ser substituídos. E fazem falta. Como fazem. E não é uma visita de tempos em tempos que consegue suprir a falta do contato humano com aqueles que nos são caros. Quando dá aquela vontade de abraçar seu pai, sua mãe, um amigo querido, e saber que isso não está ao seu alcance, dá um baita aperto no peito. Quando moramos fora, temos que saber esperar. Esperar seis meses, um ano ou mais. E aprender também que o próximo encontro pode acontecer tarde demais. Poderia terminar aqui. Para mim, esses três fatores já seriam suficientes para justificar a vontade de voltar. Mas não dá para deixar de falar sobre um ponto específico de quem mora no Canadá – ou no Norte do planeta de modo geral: o frio. O Canadá é um país maravilhoso. Montreal, uma cidade incrível. No verão. Se você gosta de passar oito meses no frio, e de três a quatro meses com temperaturas dignas do Pólo Norte, não pense duas vezes, Montreal é o seu lugar. E se você gosta de mais frio, durante mais tempo, o Canadá está repleto de outras ótimas cidades procurando imigrantes. Mas se você nasceu e cresceu no calor tropical, viver com casacos, botas, luvas e outros apetrechos invernais (e infernais!), vai virando, aos poucos, ao longo dos anos, uma tortura diária sem fim. O mês de fevereiro de 2015 foi o mais frio da história, segundo o departamento de estatísticas canadense. Nem pinguim saiu de casa. Estou falando de 30 graus negativos, de domingo a domingo. Por fim, tem também o estilo de vida. Por mais que os seus valores correspondam aos valores do novo país, que é o meu caso, isso não significa que sua vida será melhor. Aos poucos, você se dá conta do que é ser brasileiro. E de que tudo aquilo que deixou para trás pode, sim, lhe fazer a maior falta. Então chega uma hora em que cada um desses detalhes, que inicialmente pareciam pequenos quando colocado lado a lado aos problemas básicos que enfrentamos no Brasil, como segurança, educação, saúde, começa a crescer e tomar proporções gigantescas. Até que você decide fazer o inimaginável quando deixou o país: deixar tudo no exterior e voltar para casa. Isoladamente, nenhum daqueles fatores lhe fariam fazer as malas. Mas juntos eles lhe fazem perceber que a construção e a manutenção da felicidade é muito mais complexa do que pensamos. A própria percepção de onde fica a sua casa, e de se saber fora de casa, pesa muito. Cada caso é diferente e cada pessoa tem a sua história. Conheço pessoas que não vão voltar nunca. Mas também conheço muitas que guardam escondido bem no fundo do peito uma vontade doida de voltar. Vou sentir falta de muitas coisas daqui, com certeza. Coisas incríveis que o Canadá me proporcionou e que me fizeram feliz durante esses anos todos. Mas a vida é feita de escolhas e de momentos. Chegou a minha hora de reviver as imperfeições do Brasil, perto da família, dos amigos, falando português, voltando a sentir calor e a brisa do mar bater no rosto.
Por Marcio Leibovitch


Trens na Alemanha

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Quando se trata de transporte, muitos turistas (principalmente meus amigos brasileiros) preferem os trens na Alemanha. O sistema de trem alemão é enorme, facil de usar e extremamente pontual (como tudo aqui).  No entanto,  prepare seu bolso, a brincadeira não é barata.  Mais de 40 mil quilômetros de vias férreas compõem a base mais importante sistema de transporte nacional da Alemanha.  Trens na Alemanha são muito limpos, confortáveis e eficientes.  Quase sempre mais caros que os aviões. Então aquela historinha de comprar o “Euro Pass”,  viajar por toda a Europa de trem, muitas vezes dormindo no proprio trem e economizando algumas diárias de hoteis é lenda.
Mesmo que muitos dos alemães ainda reclamem das altas tarifas e do atendimento dos funcionários nos trens na Alemanha, muitos turistas elegeram o sistema ferroviário alemão como um dos melhores da Europa.  Particulamente, essa eternas reclamações fazem parte da famosa “etiqueta alemã”.  A maioria dos trens na Alemanha é gerido pelo Deutsche Bahn AG , mas há também algumas linhas regionais privadas, como a Bayerische Oberland Bahn no sul da Baviera ou o Nord-Ostsee-Bahn , perto da fronteira germano-dinamarquesa.
                                        

Trens e Estações

Existem diferentes tipos de trens na Alemanha, podem parecer confuso à primeira vista.  A lista a seguir deve ajudá-lo:
  • EuroCity (CE): conectar grandes cidades, não só na Alemanha, mas também em outros países europeus. Por exemplo, há ligações regulares entre Hamburgo e Copenhagen, Berlim e Varsóvia, bem como Munique e Milan.
  • Intercity Express (ICE): na Alemanha conectar grandes áreas urbanas com horários programados.  Eles viajam muito rápido, e algumas linhas ICE oferecem serviços de bordo adicionais como hotspots WLAN, recepção móvel e entretenimento de áudio / vídeo. Portanto, eles são muitas vezes preferido pelos viajantes de negócios.
  • Intercity (IC): na Alemanha conectar algumas das cidades maiores, por exemplo, Hamburgo e Nuremberg.
  • Regional Express (RE): na Alemanha são trens regionais que param em cidades menores também.Eles são mais baratos, mas também mais lento do que as mencionadas acima.
  • Regionalbahn (RB) é o tipo mais lento de trem na Alemanha. RB trens só servem áreas limitadas e fazer inúmeras paradas em pequenas estações. Assim como os trens RE, os seus compartimentos de segunda classe pode rapidamente tornar-se lotado, especialmente na sexta-feira à noite, no fim de semana e durante a temporada de férias.
As paradas nas estações tendem a ser bastante rapidas, por isso preste muita atenção no sistema de alto-falante ou pedir a seus companheiros de viagem para alertá-lo sobre o seu local de desembarque.  As próprias estações estão ligadas à rede de transporte local ou regional.

Bilhetes e tarifas

Como eu já citei, viajar de trem na Alemanha é de fato bastante caro, especialmente se você optar por um assento de primeira classe em um trem rápido de longa distância. Por exemplo, um único passeio ICE de primeira classe, saindo de Munique para Berlim custa até EUR 219.  No entanto, existem inúmeras maneiras de conseguir um desconto para viagens de trem na Alemanha, e podemos explicar apenas alguns deles aqui:
  • Se você vai em viagens de negócios dentro da Alemanha em uma base regular, o chamado Cartão Bahn provavelmente vai te ajudar: Com este cartão de desconto personalizado, você pode economizar até 50% da tarifa regular.
  • Para viagens de longa distância, também existem as chamadas “tarifas poupança” ofertas: um número limitado de bilhetes para certas conexões são vendidos por menos de EUR 29 ou EUR 39.
  • Além disso, você pode economizar até 50% em cada passagem de volta, desde que você restringir-se a viajar em um determinado dia e fazer uma viagem de volta de e para a mesma estação.
  • Além disso, existem vários bilhetes sazonais e descontos regionais também. O Schönes-Wochenende-Ticket(Happy Weekend Ticket) e os Länder-Tickets (bilhetes de um dia regionais) são particularmente populares.

    Onde comprar o seu bilhete

    Você pode adquirir o seu bilhete no balcão, ou em uma máquina de venda automática (nem todas aceitam cartões de débito ou cartões de crédito), ou on-line . Não é mais possível comprar bilhetes a bordo trens regionais.  Se você embarcar em uma conexão regional sem um bilhete válido, lembre-se que voce estará cometendo uma infração, se o fical te pegar, alem do vexame e multa,  ele pode forçá-lo a deixar o trem na estação seguinte. Nas grandes cidades, você vai encontrar muitas vezes chamados Reisezentren (centros de viagem), bem como pelo menos uma cabine de informações com funcionários que falam Inglês. Eles podem ajudá-lo a encontrar a conexão correta, ou dar conselhos em trens na Alemanha e transporte local ou para encontrar a conexão correta.  No entanto, a venda de bilhetes em estações menores costumam ter um horário limitado e o pessoal local pode não ser tão eficiente no Inglês. Em cidades muito pequenas, não há mais a bilheteria em tudo.

  • Um dica para facilitar sua viagem de trem com horarios, conexões, mapas,..é o aplicativo do Deutsche Bahn AG (Db Bahn)
  • O trem é um meio de transporte bastante popular, especialmente durante os feriados. Assim, aconselho voce fazer reservas para viagens, especialemente durante feriados, fins de semana e na hora do rush. Caso contrário, você pode acabar sentado em sua mala ou no chão. 🙂

O que acontece quando você vive no exterior

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O texto a seguir é uma tradução de “What happens when you live abroad“, da Chelsea Fagan. 

Uma característica muito comum de pessoas que vivem no exterior é encontrá-los amontoados em bares e restaurantes, falando não apenas sobre a sua terra natal, mas sobre a experiência de sair. E por incrível que pareça, esses grupos de expatriados não são necessariamente todos dos mesmos países de origem, muitas vezes, a mera experiência de mudança de local e cultura é suficiente para conectá-los e construir as bases de uma amizade. Eu conhecia uma quantidade razoável de expatriados – de diferentes períodos de estadia – nos Estados Unidos, e é reconfortante ver que aqui na Europa, os bares de “estrangeiros” são tão predominantes e preenchidos com a mesma vibração quente e nostálgica.

Mas uma coisa que, sem dúvida, existe entre todos nós, algo que permanece não-dito em todos os nossos encontros, é o medo. Há um medo palpável em viver em um novo país, e embora seja mais agudo nos primeiros meses, até mesmo anos, da sua estadia, nunca evapora completamente ao longo do tempo. Ele simplesmente muda. A ansiedade que já foi concentrada em como você vai fazer novos amigos, se ajustar e dominar as nuances da linguagem tornou-se a questão repetida “O que eu estou perdendo?”. Conforme você se estabelece em sua nova vida e novo país, conforme o tempo passa e se torna menos uma questão de há quanto tempo você está aqui e mais uma de há quanto tempo você se foi, você percebe que a vida em casa seguiu sem você. As pessoas cresceram, mudaram, se casaram, se tornaram pessoas completamente diferentes – e você também.

É difícil negar que o ato de viver em outro país, em outro idioma, muda você fundamentalmente. Diferentes partes da sua personalidade se destacam, e você assume qualidades, maneirismos e opiniões que definem as novas pessoas ao seu redor. E não há nada de errado nisso, muitas vezes é parte da razão pela qual você partiu, em primeiro lugar. Você queria evoluir, mudar alguma coisa, para colocar-se em uma desconfortável situação nova que iria forçá-lo a entrar numa nova fase de sua vida.

Então, muitos de nós, quando deixamos nossos países de origem, queremos escapar de nós mesmos. Construímos enormes redes de pessoas, bares e cafés, de argumentos e exes e os mesmos cinco lugares de novo e de novo, dos quais sentimos que não podemos nos libertar. Há muitas pontes que foram destruídas, ou amor que se tornou azedo e feio, ou restaurantes em que você comeu tudo no menu pelo menos dez vezes – a única maneira de escapar e tornar a sua ficha limpa é a ir a algum lugar onde ninguém saiba quem você foi, e nem vá perguntar. E, embora seja extremamente refrescante e estimulante sentir que você pode ser quem você quiser ser e vir sem a bagagem do seu passado, você percebe o quanto de “você ” foi mais baseado em localização geográfica do que qualquer outra coisa.

Andar pelas ruas sozinho e jantar em mesas para um – talvez com um livro, talvez não – em que você fica sozinho por horas, dias a fio com nada além de seus próprios pensamentos. Você começa a falar sozinho, perguntando coisas a si mesmo e respondendo-as, e fazendo as atividades do dia com uma lentidão e uma apreciação que você nunca antes sequer tentou. Até ir apenas ao supermercado – estando em um empolgante lugar novo, sozinho, em um novo idioma – é uma atividade emocionante. E ter que começar do zero e reconstruir tudo, ter que reaprender a viver e realizar atividades diárias como uma criança, fundamentalmente lhe altera. Sim, o país e seu povo terão o seu próprio efeito sobre quem você é e o que você pensa, mas poucas coisas são mais profundas do que simplesmente começar de novo com o básico e confiar em si mesmo para construir uma vida de novo. Eu ainda tenho que encontrar uma pessoa que eu não ache que se acalmou com a experiência. Há uma certa quantidade de conforto e confiança que você ganha consigo mesmo quando você vai para este lugar novo e começa tudo de novo, e uma noção de que – aconteça o que acontecer no resto da sua vida – você foi capaz de dar esse passo e pousar suavemente pelo menos uma vez.

Mas existem os medos. E sim, a vida continuou sem você. E quanto mais tempo você ficar em seu novo lar, mais profundas essas mudanças se tornarão. Feriados, aniversários, casamentos – cada evento que você perde de repente se torna uma marcação em uma resma de papel sem fim. Um dia, você simplesmente olha para trás e percebe que tanta coisa aconteceu na sua ausência, que tanta coisa mudou. Você acha cada vez mais difícil iniciar conversas com as pessoas que costumavam ser alguns dos seus melhores amigos, e piadas internas se tornam cada vez mais estranhas – você se tornou um estranho. Há aqueles que ficam tanto tempo fora que nunca podem voltar. Todos nós conhecemos o expatriado que está em seu novo lar há 30 anos e que parece ter quase substituído os anos perdidos longe de sua terra natal com total imersão apaixonada em seu novo país. Sim, tecnicamente eles são imigrantes. Tecnicamente a sua certidão de nascimento iria colocá-los em uma parte diferente do mundo. Mas é inegável que qualquer que seja vida que eles deixaram em casa, eles nunca poderiam juntar todos os pedaços. Essa pessoa antiga se foi, e você percebe que a cada dia você se aproxima um pouquinho mais de você mesmo se tornar essa pessoa – mesmo se você não quiser.

Então você olha para sua vida, e os dois países que a seguram, e percebe que agora você é duas pessoas distintas. Por mais que seus países representem e preencham diferentes partes de você e o que você gosta na vida, por mais que você tenha formado laços inquebráveis com pessoas que você ama em ambos os lugares, por mais que você se sinta verdadeiramente em casa em qualquer um, você está dividido em dois. Para o resto de sua vida, ou pelo menos você se sente assim, você vai passar seu tempo em um incômodo anseio pelo outro, e esperar até que você possa voltar por pelo menos algumas semanas e mergulhar de volta à pessoa que você era lá. Leva-se muito tempo para conquistar uma nova vida para si mesmo em algum lugar novo, e isso não pode morrer, simplesmente porque você se moveu ao longo de alguns fusos horários. As pessoas que lhe acolheram no país delas e tornaram-se sua nova família, eles não vão significar menos para você quando você está longe.

Quando você vive no exterior, você percebe que, não importa onde você esteja, você sempre será um expatriado. Sempre haverá uma parte de você que está longe de sua casa e jaz adormecida até que possa respirar e viver com todas as cores de volta ao país onde ela pertence. Viver em um lugar novo é algo belo e emocionante, e pode lhe mostrar que você pode ser quem você quiser – em seus próprios termos. Pode dar-lhe o dom da liberdade, de novos começos, de curiosidade e empolgação. Mas começar de novo, entrar naquele avião, não vem sem um preço. Você não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo e, a partir de agora, você sempre ficará acordado em certas noites e pensará em todas as coisas que você está perdendo em casa.

Munique: qual a melhor região para se hospedar?

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É o tipo de pergunta que mee fazem o tempo todo e obviamente eu faço a meus amigos que moram em cidades que pretendo viajar.

Você quer praticidade, andar pouco e ter toda a malha de transporte público a sua disposição ?

Pois bem, não tenho dúvida que a região no entorno da Estação Central de Trens (Hauptbahnhof) é a melhor opção. De qualquer extremo da cidade que você esteja passeando, você irá encontrar um metro, um onibus ou um bonde que tenha o “Hauptbahnhof” como destino.

É obvio que nessa região, não espere encontrar esquilos saltitantes em um belo jardim na frente do Hotel. Lembre-se: você está no marco zero da cidade, chegada e saida de milhares de turistas. Isso serve para todas as cidades no mundo, as redondezas das Estações Centrais são sempre feias. Porém você está em Munique, você não precisa se preocupar em andar de noite por essa região. Roubo zero, ok !?!

A opção de Hostels e Hoteis com preços baixos é maior nessa região citada. É praticamente um Hotel colado no outro, com muita opção de resturante e “fast food”

Se você prefere um lugar menos tumultuado, evitando a Estação Central. Se Hoteis na região central estão lotados (acredite, na Oktoberfest não tem nem casinha de cachorro disponivel), .. Enfim, a segunda dica é procurar hoteis que estejam proximos as estações em destaque no mapa abaixo, de Pasing ateOstbahnhof. Por que ? Simples, observe que a rede de metro continua intensa nessas estações. Ou seja, você não precisa ficar esperando 20 minutos pelo proximo metro, pois é o que acontece quando voce só tem uma linha de metro para sua região. Nessas estações que destaquei no mapa (essas capsulas brancas), você tem metro de 2 em 2 minutos.

Ficar no fim de linha de metrô é, de fato, uma chatice. Você começa e termina o seu dia com aquela mesma seqüência interminável de estações (a gente se sente como se fosse para o trabalho). Passar no hotel no meio do dia para buscar algo que esqueceu acaba se tornando uma novela e tomando um tempo e uma energia que custam muito mais do que a diferença do que você pagaria por um hotel mais central.

Se você prefere ficar numa região agitada à noite, não apenas para agitar de fato, como também para se sentir em segurança em ruas que não morrem cedo , escolha Karlsplatz ou Sendlinger Tor. De preferência próximo a avenidaSonnenstraße.

Quer dormir e acordar praticamente dentro da Oktoberfest ? Então procure algo proximo a Theresienwiese ou um hotel que tenha a linha U4 e U5 por perto. Todos os hoteis costumam indicar em seus websites “estamos a 3 minutos da estação de metro tal e tal”.

A outra opção é a estação de Hackerbrücke. Esse local é marcante pela imensa ponte de ferro que atravessa as linhas de trem que abastecem a Estação Central. Em Hackerbrücke, você caminha de 5 a 10 minutos e já está dentro da Oktoberfest.

Quer dormir e acordar num lugar lindo? Abrir as cortinas e ter um belo lago como cenário ? Ou você esta de carro e quer fazer um tour pela Bavária ? RecomendoStarnberger See ou Ammersee. Lembre-se que nessa região temos uma linha de metro para cada lago citado, porém estamos bem afastados do centro. Algo em torno de 30 minutos de Metro, porém com a Autobahn muito próxima.

Ruínas do Terceiro Reich

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Esse tema é de longe o mais complicado a ser pesquisado em terras alemãs. Simplesmente porque tudo referente a II Guerra Mundial se tornou proibido. Pra você ter uma idéia, se você digitar a palavra “Hitler” no youtube, todos os videos estão bloqueados com a mensagem “conteúdo indisponível no seu país”.

Sempre fui um aficcionado pelo tema “II Guerra Mundial”. São dezenas de filmes, documentários e livros na minha estante. Tudo que envolva as batalhas e o material bélico da época, faço questão de assisitir ou ler mais e mais, tanto que um dos meus hobbys é o Plastimodelismo Militar. Sim montar e pintar “aviãozinho de guerra” (termo usado pela maioria dos leigos)

Na minha primeira visita a Alemanha, isso muito antes de pensar em morar por aqui, cheguei acreditando que iria ter acesso a todo poderio bélico remanescente da década de 40. Na primeira oportunidade, lá estava eu questionando a população local: “Onde posso encontrar tanques Panzers? E os aviões Messerschmitt ? A reação de todos era sempre a mesma, negativar com a cabeça e já mudar de assunto.
Eu não entendia o motivo de tanta antipatia e aversão. Passei a entender depois que deixei de usar o visto de turista no meu passaporte, no dia que passei a viver o dia-a-dia dos alemães.

Uma coisa é certa, tudo o que foi feito à 70 anos atrás, foi pago e continua sendo pago por todas as gerações seguintes. Acredito que isso ainda irá permanecer por mais um século. Você nunca irá ver um alemão discutindo na rua com pessoas de outras etnias. Como assim? Calma, vou explicar exemplificando com um episódio que eu já vi dentro do metro. Um grupo de adolescentes turcos gritavam dentro do metro, gritavam é uma forma de ser educado, eles estavam “zaralhando”. Um senhor alemão, se aproximou com dificuldades e pediu para que falassem um pouco mais baixo, automaticamente o grupo de adolescentes começou a gritar “Sai daqui seu nazista! Sai daqui!”. Naquele dia comecei a entender o peso da bagagem que os alemães carregam, e passei a fazer minha pesquisa sozinho, usando apenas a internet como base.

Numa dessas pesquisas, encontrei o site: http://www.thirdreichruins.com (está todo em inglês).
Depois disso foi extremamente fácil encontrar todos os prédios e ruínas da época. Era só seguir o passo-a-passo feito pelo Geoff Walden (autor do blog).

Munique teve uma grande importância, pois foi a Capital do Movimento – o berço do Partido Nazista. Durante todo o período do Terceiro Reich, Munique continuou sendo a capital espiritual do movimento nazista, com edifícios sede, museus para abrigar as formas de obras aprovadas por Adolf Hitler, além de ter sido o local escolhido para a tentativa do golpe nazista em novembro de 1923.

Vou tentar descrever esses locais históricos:

Já escrevi sobre “Eagle Nest” ou Kehlsteinhaus (em alemão) ou “Ninho da Águia”. É uma casa de montanha de Adolf Hitler situada a 1834m de altitude, no topo da montanha Kehlstein. Encomendada por Martin Bormann como um presente de Aniversário de 50 anos para o líder do Partido Nacional Socialista Adolf Hitler, tornou-se um dos destinos turísticos mais populares no sul da Alemanha.
Atualmente a Kehlsteinhaus abriga um excelente restaurante, com uma vista deslumbrante e onde encontramos os melhores e mais tradicionais pratos da Bavária. O nome de “Ninho da Águia” talvez se deva à sua localização dada a altura ser propícia para as Águias edificarem os seus ninhos, ou a Adolf Hitler ser considerado a Águia da Alemanha, ou de alguma forma remediar ao fato do brasão da Alemanha Nazista constar uma Águia. Mas admito que qualquer uma dessas hipóteses possam ser meras conjecturas minhas.

Hofbräuhaus: A mundialmente famosa cervejaria Hofbräuhaus, localizado na Platzl 9, foi palco de várias reuniões nazistas e alguns dos discursos mais memoráveis ​​de Hitler. Inclusive foi o local de um dos atentados contra Hitler.

Kriegerdenkmal: O Memorial está localizado no Hofgarten. Um grande bloco de pedra, com o slogan “Sie werden aufstehen” (Eles irão se levantar), abrange uma área com uma cripta rebaixada, mostrando uma escultura de um soldado alemão preparado para o enterro. O memorial foi erguido em 1924-1926 em memória aos 13.000 “filhos heróicos de Munique” que caíram na Primeira Guerra Mundial, entre 1914-1918. Após a Segunda Guerra Mundial, uma inscrição no memorial foi acrescentada para os 22.000 soldados mortos e 11.000 desaparecidos, além das 6.600 vítimas dos bombardeios aliados em Munique entre 1939-1945.

Löwenbräukeller: localizado na Nymphenburger Straße 4, foi outro local favorito para os primeiros encontros e discursos do Partido Nazista.

Park Café:  Localizado na Sophienstraße 7, foi construído em 1935-1937 no local do antigo Palácio de Vidro de Munique, que pegou fogo em 1931. O Park Café exibia o estilo neo-clássico preferido pelos nazistas, e era ponto de encontro frequente de Hitler.

Dachau: foi estabelecido nas dependências de uma fábrica abandonada de munição, próxima à parte nordeste da cidade de Dachau, a cerca de 15 quilômetros ao noroeste de Munique, no sul da Alemanha. Foi o primeiro campo de concentração, servindo de modelos para os demais, inclusive como centro de treinamento para os soldados da SS. Dachau chegou a abrigar mais de duzentos mil prisioneiros, sendo a maioria presos politicos, artistas e opositores ao regime nazista. Com um Estado Totalitário, não seriam aceitos aqueles que manisfestassem um pensamento ideológico contrário ao Socialismo Nacionalista de Hitler, que o mesmo afirma em sua biografia: “A lei natural de toda evolução não permite a união de dois movimentos diferentes, mas assegura a vitoria do mais forte e a criação do poder e da força do vitorioso, o que só se pode conseguir por meio de uma luta incondicional (HITLER, 2005, p.257).”

Os judeus que passaram a ser perseguidos, perderam seus direitos políticos e sociais, foram declarados inimigos políticos e consequentemente também foram enviados para Dachau.
Diferente de Auschwitz II (Birkenau), que era um Campo de Extermínio, Dachau era considerado no início, um presídio comum. No entanto, nos ultimos anos da guerra, seus presos passaram a ser fuzilados ou enforcados. Cerca de trinta mil pessoas morreram em Dachau. O campo chegou a possuir uma câmara de gás, mas não há registros de que tenha sido usada.

Minha única visita a Dachau foi feita na Primavera em um dia com Sol e Céu azul, nem por isso o clima ficou menos pesado. Com a frase “Arbeit Macht Frei” (o trabalho liberta) no portão de entrada, é impossível o visitante não se colocar no lugar de um dos 200 mil presos que por ali passaram.

Em Dachau, como em outros campos nazistas, os médicos alemães realizavam experiências médicas nos prisioneiros, tais como testes de alta altitude usando câmaras de descompressão, experimentos com malária e a tuberculose, hipotermia, e testes experimentais para novos remédios e vacinas que servissem aos alemães. Os prisioneiros também eram forçados a serem cobaias em testes de métodos de dessalinização da água e de estancamento de perda de sangue excessivo. Centenas de prisioneiros morreram ou ficaram permanentemente incapacitados como resultado destas experiências.

No dia 26 de abril de 1945, já próximo da data da chegada das Forças Norte-Americanas ao local, os Guardas da SS obrigaram mais de 7.000 prisioneiros, a maioria deles judeus, a iniciarem a chamada “marcha da morte”, uma caminhada que ia de Dachau à Tegernsee, bem mais ao sul. Durante a mencionada marcha, os guardas alemães atiravam em qualquer pessoa que não conseguísse continuar a andar; muitos outros morreram de fome, de frio e exaustão. Três dias depois, as forças norte-americanas libertaram Dachau e uma semana depois libertaram os prisioneiros sobreviventes que haviam sido levados para a marcha da morte

Monumento em homenagem aos prisioneiros que se suicidaram na cerca eletrificada.

Berchtesgaden

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Em outras dicas de viagem pela Bavária, citei Berchtesgaden, porém sempre como um ponto intermédiario ou de transição para outra atração turística. Afinal de contas, Berchtesgaden se encontra no centro de tudo de legal que acontece na Bavária, além de ter uma estrutura hoteleira fantástica.
Para que você tenha uma idéia, o Parque Nacional Berchtesgaden está como “uma das mais belas paisagens da Terra”, palavra de quem entende.

Acho que já estivesse mais vezes em Berchtesgaden, do que na casa da minha mãe para o almoço de Domingo, tamanha a proximidade do centro de Munique e das diversas opções de lazer que já citei anteriormente. De carro ou de trem é muito fácil chegar lá.
Começamos de carro, pois é só digitar “Berchtesgaden” no GPS e seguir pela Autobahn (óbvio). Porém a primeira dica surge aqui, o GPS  normalmente indica o caminho mais rápido, com isso você irá transitar  uns 15 minutos na Autobahn austríaca e consequentemente terá que comprar o “Adesivo-Pedágio” austríaco (Vignete custa uns 10 euros). Para evitar esse gasto e acredite, o tempo será o mesmo, siga as placas para “Bad Reinchhall”. Caso você perca essa entrada, pare no Posto de pedágio seguinte e compre o “Selo-Pedágio” (Vignete), pois a fiscalização acontece, mesmo que por 15 minutos em solo austriaco.
Ilustrei o mapa abaixo e você vai ver como é simples e fácil.
De trem: na Estação Central de Munique (Hauptbahnhof), os trens partem de hora em hora, com o Bayern-Ticket custando 22 Euros (Individual) e por mais 4 Euros por acompanhante. Lembrando que o limite é de 5 pessoas por ticket. Ou seja, um casal pagará 26 euros no total em um ticket válido das 6 da manhã até às 6 da manhã do dia seguinte.
Dica: se você pagar 2 euros a mais (totalizando 28, euros para o casal) você poderá usar o trem e os onibus locais. É só comprar o Bayern-Ticket Familia (mesmo a viagem sendo feita por amigos).
 O trem de Munique vai até Freilassing e de lá já parte outro para Berchtesgaden. É praticamente descer de um e entrar no outro, tudo com letreiro indicativo, tempo de espera de no máximo 5 minutos e já tudo incluso no Bayern-Ticket.
                         Trem de Munique para Freilassing
Trem de Freilassing para Berchtesgaden
Chegando em Berchtesgaden você poderá ir para a Montanha Kehlstein e visitar Eagle Nest “Ninho da Aguia” (já escrevi sobre isso aqui), ir para Königsee(também já escrevi sobre isso), além de um city-tour em Berchtesgaden.

Berchtesgaden é cercada de montanhas, além do ar limpo vindo das montanhas, o sal e os lagos da região também possuem um papel importante nos tratamentos de saúde naturais oferecido pelas clínicas da região. Salzheilstollen, é um spa debaixo da terra, em uma mina de sal. As terapias oferecidas incluem tratamentos para bronquite asmática, febre do feno, sinusite, trato respiratório super-sensível, problemas de pele, insônia, zunido, depressão, esgotamento físico e stress.

Salzheilstollen é um programa para toda a familia, pois é conhecido como um “Centro de Aventura” dentro da maior e mais moderna Mina de Sal do Mundo. Um trenzinho leva os visitantes para as profundezas da montanha onde a mina é apresentado de uma forma mística por meio de luz, cor e som – uma “catedral de sal” impressionante aparece diante dos olhos dos visitantes. Todas as dúvidas sobre o Sal são respondidas de forma bem lúdica no “Laboratório de Sal. O espelho lago, a 150 metros abaixo da superfície, recebe os visitantes em um ambiente sereno. Em uma composição fascinante de luz e som, a balsa atravessa a água e leva os visitantes para a margem oposta, sob um céu artificial de cristais de sal.

Maiores informações sobre valores e horários de funcionamento no site:http://www.salzheilstollen.com/
Para os interessados em “Schnapps“, não deixe de visitar a Destilaria que segue a mais tradicional e conhecida receita. A destilaria produz não só a Schnapps, mas também para mais de 20 outros licores alpinos. Por ano, cerca de 100 mil visitantes de todo o mundo visitam o mundo interessante desta pequena destilaria de Unterau. A visita inclui um passeio pela destilaria, um filme interessante, degustação e uma loja bem abastecida com muito mais do que apenas garrafas.

Maiores informações sobre valores e horários de funcionamento no site:www.grassl.com

Berchtesgaden situa-se no meio de um vale e na base da Montanha Watzmann. De acordo com a lenda local, uma perversa família real que vivia na região, foi transformada em rocha por Deus como punição.
Na caminhada pela cidade você encontrará Markplatz (praça central), atravessando um arco do século 16, chega-se à Schlossplatz “Praça do Castelo” com algumas das mais antigas construções locais, a Igreja “Stiftskirche”.

Se você procura paisagens encontradas apenas em “protetores de tela” do seu computador, Berchtesgaden é uma das melhores opções. O Parque Nacional foi declarado Reserva da Biosfera pela Unesco em 1990,  fauna inclui mais de 100 espécies de pássaros, 15 tipos de peixes e animais raros, como o cabrito montanhês, reintroduzido na região nos últimos 30 anos.

Uma rede de trilhas de aproximadamente 230 km o transforma num verdadeiro paraíso para contempladores da natureza, amantes do montanhismo e do esqui e também para artistas.

Uma dica legal para quem quiser pernoitar na região, fugindo um pouco das tradicionais pousadas da região é ir ate “Stahlhaus“. O local é muito procurado pelos praticantes de Trekker. Afinal de contas, essa cabana fica a 30 minutos da estação de teleférico que está no topo do Jenner.  Essa cabana é toda de madeira, possui 24 camas e mais de 70 colchões, extremamente limpa e com ótimos preços. Por questão de higiene, deve-se levar também um lençol e uma capa de cobertor. Localizada na fronteira entre a Alemanha e a Austria, funciona o ano inteiro. Se quiser reservar ou obter maiores informações sobre o local: http://www.carl-von-stahl-haus.com/

De Stahlhaus partem diversas trilhas para escalar as montanhas nos arredores ou fazer caminhadas de vários dias pelo parque, inclusive até o lago Funtensee, o ponto mais frio da Alemanha. A decida no dia seguinte, até o estacionamento de Jennerbahn, dura cerca de 2 horas a pé, ou se preferir, utilize os teleféricos de Jennerbahn. Informações sobre horários e valores no website: http://www.jennerbahn.de/de/home/
Se a sua opção é pernoitar em Pousadas mais tradicionais, com quartos e banheiros privativos, não faltará opções na base da Montanha Jenner, exatamente num raio de 5 minutos à pé da Estação de partida dos Teleféricos, próximo ao grande estacionamento.
São diversas opções de quartos e preços. A média de preços é de 70 euros por casal com café-da-manhã incluso. Lojas de Souveniers e restaurantes estão em uma rua que liga o estacionamento ao lago de Königsee.

Quem prefere fazer caminhadas curtas em vez de uma longa e cansativa, pode, por exemplo, emendar uma visita a Ramsau, a 10 km do centro de Berchtesgaden. A principal atração deste pequeno povoado com menos de 2.000 habitantes é a Igreja de São Sebastião e São Fabiano.
Com a montanha Reiteralpe ao fundo, é um dos mais belos cartões-postais da Baviera. Sua fama mundial se deve ao fato de ser nos selos dos Correios Alemães.

Próximo a Igreja encontramos o lago e a região de Hintersee, ponto de partida para caminhadas a diferentes pontos do parque, uma delas leva à Schärtenalm, a 1362 m de altitude.

A Schärtenalm é um rancho transformado em rústico restaurante panorâmico, que oferece pratos típicos, como o Kaiserschmarrn (panqueca em pedaços), cerveja, refrigerantes, café e tortas deliciosas.

Quem quiser dormir mais uma noite nas alturas, precisa caminhar mais uma hora até a cabana Blaueishütte, na trilha que vai em direção à Blaueis (Geleira Azul), a geleira mais setentrional dos Alpes.

Sölden

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Sölden é onde tudo acontece primeiro quando o assunto é esportes de Inverno. Isso tudo, porque as atividades já começam em Setembro. Em Outubro começam os campeonatos, esse ano (2012) por exemplo, acontece o AUDI FIS Skiweltcup Auftakt de 26 a 28 de outubro e, mais tarde, eventos em quase todos os finais de semana. Ou seja, é “bagunça” até o início de Maio.

Nas duas geleiras acima da vila e na parte posterior do Vale Ötz, a temporada de neve começa em setembro. A estrada panorâmica de maior altitude dos Alpes orientais guia esquiadores e snowboarders, de carro ou de ônibus, de Sölden até as geleiras de Tiefenbach e Rettenbach, uma das maiores regiões de Esqui Glacial da Áustria. As duas geleiras gigantes são interligadas por uma estrada e um túnel, formando o único circuito de esqui glacial dos Alpes. São 148 km de pistas, para todos os níveis, sem estresse nem tempo de espera de transporte devido aos inúmeros Lift’s (teleféricos). As áreas de esqui vão de 1.350 a 3.340 metros de altitude e aproximadamente 80% das pistas são abastecidas por canhões de neve.
Além disso, Sölden é a única região de esqui da Áustria que possui três montanhas com mais de três mil metros de altitude: Gaislachkogl (3.058 m), Tiefenbachkogl (3.250 m) e Schwarze Schneide (3.340 m).  Quem quiser conquistar as “BIG3“ em um dia pode participar do “BIG3 Rallye“. O ponto de partida é a estação de teleférico Giggijoch e a chegada é a estação Gaislachkogl. Entre as duas estações encontram-se quatro horas de descidas, 50 km de pistas, 10 mil metros verticais e três paisagens alpinas de tirar o folêgo, admiradas nas plataformas panorâmicas. Um destaque especial para todos os fãs de Sölden é o novo “Multimedia Nightshow“, nas noites de quarta-feira na estação intermediária de Gaislachkogl, contando inclusive com a participação de DJ’s Internacionais como David Guetta. Além disso, todas as Escolas de Esqui da cidade, em conjunto com o tradicional Skiclub Sölden, fazem uma demonstração impressionante de Esportes de Inverno, apresentando as técnicas de esqui desde seu início até os dias atuais.
Mais informações consulte o site: http://www.soelden.com/main/EN/SD/WI/index.html

Innsbruck

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Innsbruck na Áustria, quase na Alemanha, é a capital do Estado do Tirol.

O Tirol é dividido entre Áustria e Itália, tendo sido uma região do extenso Império Austríaco, com os seus costumes preservados ate hoje em dia. Essa divisão ocorreu em 1919, com o tratado de Saint-Germain-en-Laie, divisão um tanto polêmica porque boa parte dos moradores que ficavam na parte italiana eram de origem alemã. Depois da Segunda Guerra Mundial, a Itália concedeu autonomia ao Tirol do Sul, demarcado na região de Trentino-Alto Adigio, enquanto a zona austríaca, cuja capital é Innsbruck, é conhecida como o estado federal do Tirol.
Os tiroleses afirmam que o Esqui Alpino surgiu em Innsbruck. Independente disso, não podemos negar a imensa relação do Tirol com o esqui. Não foi por acaso que Innsbruck foi escolhida para palco dos Jogos Olímpicos de Inverno em 1964 e em 1976 tornando-a mundialmente famosa.
Em dias de Céu limpo, descer nas pistas de de Nordkette, Seegrube e de Hafelekar, com a cidade ao fundo, se tornam uma experiência certamente memorável.
Se você ainda não é praticante da modalidade, não se preocupe, o teleférico chega até ao topo do Hafelekar (2334 metros), com uma estação intermediária em Seegrube (1905 metros), oferecendo uma vista magnífica do Vale. Já do outro lado do Vale temos as pistas e outras instalações olímpicas, onde se realizaram os Jogos de Inverno. Quem está por dentro do mundo do esqui não necessita de grandes explicações e detalhes, pois sabem que as possibilidades são inúmeras. Os mais aventureiros podem se arriscar por uma pista de Bobsled, com capacidade para seis pessoas no trenó. A experiência é muito divertida.

Mas a diversão não se limita somente às pistas de esqui, o ambiente depois de um dia esquiando supera o de muitas das célebres estações francesas e suíças de esqui. Com seu centro histórico, formado por belos edifícios góticos, renascentistas e barrocos, situado na margem do rio Inn, exatamente no eixo formado pelas ruas Friederich Strasse e Maria Theresien Strasse, a cidade fica cheia de turistas durante todo o ano. Seu principal cartão-postal é o Goldenes Dachl.

A cidade é relativamente pequena, com a sensação de estar em uma aldeia nos Alpes, podendo ser percorrida toda a pé em poucas horas. O comércio oferece diversas opções de compras, desde lojas elegantes à lojas de bugingangas e souvenirs.

Caminhando desde “o telhado de ouro” (Goldenes Dachl) em direção ao rio, encontramos o Castelo de Otto de Andechs-Goldener Adler, onde hoje funciona um restaurante. Não muito distante dali, podemos visitar a Catedral Dom S. Jakob, e a “Hofkirche” ou Igreja da Corte, onde se encontram as 28 estátuas de bronze que formam o Mausoléu de Maximiliano I.

Uma curiosidade: ao passear pelas ruas do centro, encontramos várias lojas cuja fachada exibe letreiros de ferro forjado, onde além do nome da loja, podemos ver representado o ofício do proprietário ou os objetos vendidos. Era assim que as pessoas que não sabiam ler podiam encontrar o que procuravam sem ter que entrar nos estabelecimentos. Hoje em dia, muitas lojas tem os letreiros novos, mas a tradição se mantém.

Não deixe de conhecer, durante a temporada de esqui, algumas das pequenas aldeias dos Alpes: Aldrans, Ampass, Axams, Birgitz, Ellbögen, Igls, Lams, Mutters, Patsch, Sistrans e Rinn.

Aqui percebe-se que a Áustria recebe bem seus convidados. As estações de esqui preservam a paisagem e oferecem todas as comodidades. Ter uma experiência desconfortável ou incômoda na Áustria é praticamente impossível.

Tenho certeza de que você irá conhecer um povo que sabe ser hospitaleiro, que sabe a importância de cuidar dos turistas e que oculta lugares com encanto único. Não deixe de brindar tudo com Schnaps (cachacinha local), porque apesar da fama que têm os austríacos de metódicos, racionais e demasiado sérios, aqui também há lugar para improvisos e diversão, e Innsbruck pode ser o local certo para isso.

Zugspitze

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Com a chegada do Inverno no Hemisfério Norte, é inevitável não pensar em Neve. Até porque em Outubro, já começa troca de pneus dos carros para pneus de Inverno, revisão no sistema de calefação das residências e a preparar as roupas, botas e luvas de neve. A neve mesmo, começa em Nov/Dez terminando em Mar/Abr. Obviamente se você quer neve, muita neve, o ideal é o final de Janeiro, início de Fevereiro.
Um fato curioso e atraente $$, é que a Alemanha é o país europeu com preços mais acessíveis, desbancando regiões tradicionais de esqui como Suíça, Áustria, Itália e França.
As principais pistas de esqui da Alemanha se concentram na Algóvia (Allgäu) e na Bavária.

Já saindo um pouquinho da Alemanha e cruzando a fronteira em direção a Austria, temos Innsbruck que é bastante famosa (tema para o próximo artigo). Em ambas as regiões, as opções de Resorts e Estações de Esqui são amplas, com ofertas de atividades tanto para veteranos, quanto para quem vai se arriscar pela primeira vez.
Um dos points da região da Bavária é a cidade de Garmisch-Partenkirchen, frequentemente usada como sede de Campeonatos Mundiais de Esportes de Inverno. Localizada a poucos minutos da fronteira com a Áustria, o lugar é fantástico.

Lá se encontra o Zugspitze, pico mais alto da Alemanha (2,962m), sendo uma atração turística visitada por milhares de pessoas todos os anos. Para chegar até seu cume é preciso pegar um dos mais longos teleféricos da Europa, com o qual se alcança dois mil metros de altitude em apenas dez minutos.

No cume, há um grande complexo formado por restaurantes, lojas de souveniers e vários pontos de observação. Em um dia de tempo bom, dá pra ter uma visão dos Vales Alpinos, lagos austriacos e com sorte, é possível avistar até os alpes italianos. Há uma segunda área, um pouco mais abaixo (2300m), com outros restaurantes de padrão bem acima da média de restaurantes turísticos de cumes de montanha, com propostas mais contemporâneas de culinária regional.

Da “Zugspitzplatz” parte também o segundo meio de acesso à montanha: um trem de cremalheira, incluso também no Ticket-diário. Demora bem mais, e boa parte do trajeto é feito por túnel, mas como tem maior capacidade, as filas são quase inexistentes. Na base da montanha, a estação do trem (Zugspitzbahn) é bem próxima à estação do teleférico.
No site é possível ter acesso a webcam 24hs, condições meteorológicas, quantos e quais teleféricos estão funcionando, etc. http://www.zugspitze.de/en/winter/

Dica importante: só faça o passeio com tempo razoavelmente bom. Consulte a previsão do tempo e acesse as webcam’s locais.

Os trens regionais partem de de hora em hora do HauptBahnhof (Munique) para Garmisch-Partenkirchen. A viagem dura 1h30m, já a segunda viagem no trem (cremalheira) que vai até Eibsee demora uns 30 minutos. De lá você escolhe: continua no mesmo trem até Zugspitzplatt ou vai de Teleférico. Eu recomendo continuar no trem e fazer a volta (descida) de teleférico.

Preços: Ticket diário: € 38 no Inverno e € 47 no Verão.

Observação: O Lago Eibsee, que fica próximo da Estação do Teleférico, fica congelado durante quase 5 meses no ano e é ponto de partida de várias trilhas no Verão. Existem Hotéis no local para quem quiser ficar mais de um dia. No entanto na cidade você tem infinitamente mais opções com melhores preços, além de lojas de vestuário, supermercados, farmácias, bares e restaurantes.

Além do tradicional “entra e pergunta o preço do quarto”, costumo usar digitar no Google “gasthof garmisch partenkirchen” para consultar o preço de duas ou três pousadas/hotéis na região antes de embarcar.
O que torna Zugspitze particularmente interessante? Você tem a experiência de visitar a montanha mais alta da Alemanha, sem precisar de tornar isso um programa de trekking extenuante.