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Category Archives: Dicas Munique

Experiencia do leitor

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Como já havia citado, todos podem contribuir com dicas e compartilhar suas experiencias de viagem. Seguindo essa idéia, estou transcrevendo na integra o comentário de um dos nossos leitores, o Eduardo Magalhaes.

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“Olá Leo, boa noite.
Não pensei que fosse responder tão rápido…rsrs. Muito obrigado.
Legal que possa colocar o que escrevi como post. Eventualmente pode servir de estímulo a outros que tenham o mesmo interesse a irem ver o que estive visitando.

Para baratear e para ficar mais independente em termos de horários e para visitar às vezes locais onde excursões normais não vão nos períodos que desejo, procuro sempre fazer as visitas por conta própria. Só que, algumas dessas visitas a locais onde ocorreram episódios da II Guerra não são muito fáceis de se fazerem sozinho, ou porque o transporte não é simples, ou porque não se tem muita informação. Relato aqui três episódios.
O primeiro, em 1988, quando fui a Berchtesgaden, em maio ou junho daquele ano. Naquela época não tinha internet e não tinha as formas de comunicação que temos hoje. Havia muito menos informação à disposição e até menos preparo para se receber o turista nos locais. Então, fui a Berchtesgaden basicamente para visitar o que era conhecido como o Ninho das Águias, que é o Kehlsteinhaus. Cheguei à estação de trem, vindo de Munique, se não me engano, e dali mesmo, ou de bem perto, já partia o ônibus que sobe aquela estradinha estreita, que fica fechada no inverno, e que vai até um determinado ponto de onde se toma aquele elevador dourado até o Kehlsteinhaus. Fiz a visita ao Ninho da Águia, andei um pouco ali por aqueles caminhos nas montanhas que há lá em cima e depois encerrei, tomando o elevador de volta para o local do estacionamento onde ficam os ônibus. Por sorte, ali na descida do Kehlsteinhaus, conheci um cara, um alemão, que queria visitar também as ruínas do Berghof, que eu nem sabia que eram possíveis de serem visitadas. Fiquei logicamente animado e o acompanhei. Para tanto, tínhamos que saltar numa espécie de estação intermediária naquela estradinha estreita. Saltamos e então fomos a pé até o Gasthof Zum Türken e mais adiante entramos num pedaço do mato ali exatamente onde era o Berghof e depois seguimos mais adiante por uma estradinha local, dando como que uma volta, visitando o Platerhoff, Kaserna dos SS, local onde era a casa de Göring, o que sobrou, e uma ou outra coisa a mais. Naquela época, tínhamos câmeras fotográficas, mas não era essa febre que é hoje em dia com fotografia de tudo o que é jeito, celular e etc… Tenho algumas fotos do Kehlsteinhaus e até ali das ruinas do Berghof, também do Platterhof, mas não com o detalhamento que eu hoje gostaria de ter. Acabei não visitando os bunkers, que na época acho que nem eram abertos a visitas e não fiz o caminho a pé até a Teehaus, que hoje me parece possível ainda de se fazer, com alguns pontos podendo ser reconhecidos, se compararmos com os filmes de época. Esse tipo de visita uma excursão não vai fazer. Nenhuma excursão, naquela época, ia às ruínas do Berghof. E, se não tivesse encontrado aquele alemão ali durante a visita ao Kehlsteinhaus, não teria visto as ruínas do Berghof.
No ano passado, quando estive na Europa, no caminho de trem de Münster para Berlin, resolvi visitar o castelo de Wewelsburg, numa localidade meio isolada relativamente perto da cidade de Padderborn. Saltei do trem em Padderborn e tomei um ônibus para Wewelsburg. Levou uns 40 ou 50 minutos até um ponto de ônibus que fica numa vila há uns 15 ou 20 minutos a pé do castelo. A visita foi ótima. O castelo foi uma espécie de escola ou retiro espiritual da SS. Há algo de místico naquele castelo. Hoje parte dele é um albergue da juventude e a outra parte é um museu. Visita excelente. Depois, na volta, novamente os 20 minutos a pé até o ponto de ônibus e lá uma espera sozinho de 1 hora ou um pouco mais pelo ônibus que me levaria de volta a Padderborn, para ainda no mesmo dia seguir caminho de trem para Berlin. Essa visita não foi propriamente difícil, mas também não foi muito tranquila de se fazer, por causa da logística do transporte. No ponto de ônibus lá na cidadezinha não tem ninguém, nem para perguntar se é ali mesmo que devemos aguardar o ônibus que vai na direção de Padderborn, você fica preocupado com a questão do horário, até porque o ônibus só passa lá um certo número de vezes por dia, razão pela qual a visita ao castelo tinha, no meu caso específico, de se encaixar nos horários mais restritos do transporte, horários esses que estavam, portanto, um pouco apertados por causa da sequencia da minha viagem para Berlin ainda no mesmo dia. Visita boa, mas que há de se ter um certo desprendimento para se fazer sozinho, sem uma excursão. Local um pouco isolado.

Por fim, na Rússia, há dois meses, já foi um pouco diferente. A infraestrutura de transporte é muito inferior à da Alemanha. Em Stalingrado, contando também o pouco tempo que eu ficaria na cidade, apenas dois dias, considerando ainda as distâncias entre os pontos interessantes a serem visitados, preferi contratar uma guia local particular. Queria ver a cidade em si, algumas ruínas e monumentos e memoriais nos locais de batalha dentro da cidade, mas desejava também visitar algumas cidadeszinhas onde houve batalhas nas chamadas “estepes” russas, quando os alemães se aproximavam para tentar tomar Stalingrado. Foi muito legal, visitei vários locais interessantes, embora nem todos necessariamente bonitos do ponto de vista estético, mas foi muito bom. Em Stalingrado e arredores, sem a guia local, não teria sido possível fazer as visitas que fiz em apenas dois dias. Com a guia e com o transporte que ela proporcionou, pude visitar muitos locais de batalhas na cidade de Stalingrado em si, bem como visitar outras localidades, como Zapadnovka, Peschanka, Kalach on Don, Pyatmorsk e Golubinskaya. Não foi muito barato, mas não tinha outro jeito, uma vez que queria ir aos locais das batalhas, tanto na cidade de Stalingrado, quanto em localidades próximas, inclusive onde houve o cerco russo aos exércitos de von Paulus, onde os exércitos russos, num movimento de pinça, isolaram von Paulus. O cerco deu-se em Pyatmorsk, perto de Kalach on Don. Há um monumento no local. Visita ótima a Stalingrado e arredores, mas impossível de se ver isso tudo se tentar-se usar o transporte normal da cidade. Logística, inclusive também por conta da língua, bastante complicada para se fazer esse passeio sozinho.
Você me deu sugestões ótimas: o Memorial da Segunda Guerra em Caen, a base de submarinos de Lorient, o rio Waal em Nimegue, parte da , que gerou o filme Uma Ponte Longe Demais, que é a ponte de Arnhem, que os aliados não alcançaram e foram massacrados, e Bastogne, parte da batalha na floresta das Ardenas, numa das últimas contra ofensivas dos alemães na guerra, pois desde o desembarque do dia D que mais se defendiam do que atacavam. A verdade é que não há tempo de se fazer tudo. Há também ruínas da Linha Maginot, que gostaria de visitar. Mas, dessa vez, acho que será possível talvez somente o Memorial de Caen. Vamos ver…..

Você mencionou que a Bavária foi pouco bombardeada e com isso há vários locais também não muito conhecidos ou não muito visitados, mas que têm significado no período nazista e que de certa forma estão preservados, ou como memoriais ou como museus ou como ruínas mesmo. Você poderia indicar alguns desses lugares ? Na Bavária, relacionados à II Guerra, visitei Munique e vou voltar, Berchtesgaden, que também voltarei, e Nürnberg, que também voltarei, além do campo de Flossenbürg, que não voltarei. Mas, acredito que haja outros locais bastante interessantes para serem visitados e que eventualmente não sejam muito divulgados.
Fico antecipadamente grato e desculpo-me pela longa mensagem.
Abraços
Eduardo”

Eduardo, mais uma vez, obrigado.
Prometo escrever outra materia sobre o tema II Guerra e os locais poucos explorados. Nao se preocupe.
Seja bem-vindo sempre com novos textos e ideias para o blog.
Abracos.

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Rota Alpina Alemã – uma viagem fabulosa pelos picos dos Alpes

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A Rota Alpina Alemã – um verdadeiro cinema drive-in! Seja bem-vindo ao um passeio panorâmico cheio de curvas, ao longo de 450 km no cenário deslumbrante das montanhas do sul da Baviera, de Lindau, no Lago de Constança, até Berchtesgaden, no lago Königssee. Esse roteiro reúne uma espécie de “seleção nacional” do turismo alemão, seja de carro, pedalando, ou caminhando.

O melhor das montanhas da Baviera são os lugares onde elas mostram o que há de mais típico nessa região, onde há músicos alegres tocando, gente sentada à mesa, cada um com sua caneca de cerveja, e onde os costumes ainda são preservados – e esses lugares são perfeitos também para dirigir. Se tudo isso ainda vier acompanhando de vistas formidáveis, com a sensação de que você só precisa dar um pulo para chegar do outro lado da cordilheira, então pode ter certeza de que você se encontra na Rota Alpina Alemã, em pleno salão de festas dos Alpes.

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Como numa propaganda de chocolate

Sua companhia durante viagem serão mais de 20 lagos cristalinos nas montanhas, castelos altivos, palácios saídos dos contos de fadas, mais de 60 estâncias terapêuticas, desfiladeiros, vales, centenas de picos de montanha e campos ensolarados, onde as leiterias produzem queijos deliciosos. A rota é também um convite para desfrutar de uma culinária de altíssima qualidade e da atmosfera nos chalés, nas cervejarias que servem ao ar livre ou nos cafés aconchegantes à beira dos lagos. Mas o esporte também não fica atrás, com atividades como rafting, todo tipo de esporte aquático, parapente, ciclismo, excursionismo e escaladas ou, naturalmente, os esportes de inverno nas diversas pistas de esqui.

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Impossível pedir mais

Ao longo da rota, as hospedagens vão desde férias na fazenda até hotéis de luxo. Cercada de uma enorme riqueza natural e cultural, a rota explora atrações mundialmente famosas, como o pico de Zugspitze, os castelos reais perto de Füssen, os mosteiros Ettal e Benediktbeuern, o lago Chiemsee, o patrimônio mundial na igreja Wieskirche, Watzmann, St. Bartholomä no lago Königssee, o Parque Nacional dos Alpes em Berchtesgaden e muito mais.

Alpen_Bayern_Aussicht_Tegernsee_BaumgartenschneidQuem já esteve aqui sabe disso!

É recomendável parar de vez em quando, ou melhor, frequentemente para apreciar esse panorama espetacular oferecido pelos Alpes. Afinal, há poucos lugares onde é possível chegar de carro a uma paisagem digna de um cartão postal, como aqui. Na verdade, uma viagem de curta duração é pouco para a Rota Alpina Alemã!

ROTA ALPINA ALEMÃ

EXTENSÃO: 450 km

DESTAQUES:
Berchtesgaden: Watzmann, Parque Nacional,
Chiemsee: lago Herrenchiemsee, ilha Fraueninsel, mosteiro
Ettal: mosteiro
Füssen: castelo Neuschwanstein
Lindau: Lago de Constança,
Königssee: St. Bartholomä, capela Eiskapelle
Oberammergau: festival Passionsspiele
Garmisch-Partenkirchen: Zugspitze
Pfaffenwinkel: igreja Wieskirche

www.deutsche-alpenstrasse.de

Dez cervejas de trigo alemãs

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Na Alemanha são produzidos mais de 5.000 tipos de cerveja. Entre elas está a famosa cerveja de trigo (em alemão Weizenbier ou Weissbier).

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Conhecida mundialmente, essa Hefeweizen tem tonalidade dourado-brilhante – cor da composição de quatro diferentes tipos de maltes – e aspecto turvo, já que a levedura (Hefe) não é filtrada. Produzida na oitava maior cervejaria da Alemanha, tem traços de manga e abacaxi e equilibra doce e amargo no paladar.
Teor alcoólico: 5,5%

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Weihenstephaner Vitus

Encorpada e complexa, essa Weizenbock é reconhecida pelo aroma de damascos secos e pelo sabor marcante de especiarias: forte, mas frutado. Premiada diversas vezes pela World Beer Awards como a melhor cerveja de trigo e produzida pela mais antiga cervejaria do mundo, ela pode ser saboreada ao lado de pratos exóticos – e inclusive na hora da sobremesa.
Teor alcoólico: 7,7%

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Franziskaner Royal

A Royal é uma versão especial da Franziskaner, dotada de especiarias e o teor alcoólico mais elevado. Na composição do sabor, toques de figo, melão e banana madura, com aromas de cravo e espuma cor de marfim. De cor acobreada, encorpada e elegante, ela é uma das preferidas em ocasiões comemorativas – podendo facilmente substituir um bom vinho.
Teor alcoólico: 6%

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König Ludwig Weissbier Leicht

Com 40% menos do volume alcoólico de sua versão helles (clara), essa Weissbier é da categoria “light”, muito mais leve e bastante refrescante. A cerveja leva o nome do Rei Luís I, responsável pela inauguração dos primeiros Biergarten, os “jardins de cerveja”, bastante comuns na Alemanha, e da Oktoberfest em Munique.
Teor alcoólico: 2,9%

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Schneider Weisse TAP 7

Feita em Kelheim, na Baixa Baviera, a Schneider Weisse conta com um enorme leque de diferentes cervejas de trigo, sendo a TAP7 a mais tradicional. De espuma leve e gostinho “típico da Baviera”, a Weizen se equilibra entre 60% de malte de trigo e 40% de cevada.
Teor alcoólico: 5,4%

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Erdinger Weissbier

Outro exemplo da tradicionalíssima cerveja de trigo alemã, a Erdinger precisa de um período de três a quatro semanas para atingir a maturação ideal. Ela existe no mercado desde o início do século 20 e reafirma a antiga Lei de Pureza Alemã: contém apenas lúpulo, maltes, levedura e água. Cremosa, com tons de dourado e aparência opaca, é frutada e refrescante.
Teor alcoólico: 5,3%

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Maisel’s Weisse Alkoholfrei

Ideal para quem busca uma Weizen sem álcool e menos calórica, sem abrir mão das características originais de aromas e sabores da cerveja tradicional. Produzida artesanalmente em Bayreuth, no norte da Baviera, a Maisel’s é leve e perfumada, com um sabor acentuado que equilibra banana e frutas cítricas.
Teor alcoólico: 0,5%

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Hofbräu Schwarze Weisse

Mais uma da série: Weizenbier produzida em Munique! Mas, diferente das últimas, essa é uma Schwarze Weisse: versão escura e menos espumante, se comparada à tradicional, ela é bastante aromática e leva um toque de biscoito amanteigado no sabor, misturando ainda notas de marrom glacê e até salada de frutas. A espuma tem cor de cappuccino.
Teor alcoólico: 5,1%

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Berliner Kindl Weisse

Levemente ácida e muito refrescante, a Berliner Kindl Weisse tem um teor alcoólico bastante baixo. Feita na capital alemã, ela já foi considerada a “champagne do norte da Europa”, graças ao seu frescor e à sua característica borbulhante. Além, é claro, do colorido – a Berliner Kindl é famosa por adicionar xaropes dos mais variados sabores às suas cervejas.
Teor alcoólico: 2,8%

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Hacker-Pschorr Dunkle Weisse

De caráter aveludado e notas de caramelo, essa Dunkle Weisse é produzida no coração de Munique. Feita com maltes selecionados, é densa e aromática. A doçura picante do malte escuro se equilibra com um leve gosto amargo, e os traços são de cravo e gengibre.
Teor alcoólico: 5,3%

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(fonte DW)

NÃO VIAJO PORQUE SOU RICO, VIAJO PORQUE ME PROGRAMO

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“Nossa, como você viaja tanto, deve ser rico”. Eu já perdi a conta de quantas vezes ouvi essa frase ou algo parecido e eu respondo: Não sou rico, não tenho um super salário, mas sou organizado e me planejo.

A vida é feita de escolhas: se sair de balada é o que você mais gosta de fazer, você de certa forma trabalha para isso. Se você curte cinema e coleciona DVDs e Blu-rays, você trabalha para isso. Viajar é a minha maior paixão, essa é a minha prioridade.

Viajar também não significa luxo. Ir para Londres não quer dizer que você ficará hospedado no Ritz, não quer dizer que você voará de primeira classe ou que vai comer nos restaurantes mais caros. As pessoas tem uma concepção um pouco errada de viagens.

Todas as minhas viagens eu começo a me planejar com até 7 meses de antecedência, pesquisando lugares, acompanhando o preço das passagens e hotéis. Monto um orçamento base para saber quanto eu vou precisar para a tal viagem. Divido esse valor pelos meses até data da viagem e assim eu sei de quanto dinheiro vou precisar economizar todos os meses para poder viajar.

Se eu preciso economizar X dinheiros por mês, eu não vou ao cinema toda semana, não vou comer no meu restaurante favorito todo sábado. Já parou pra pensar quanto custa no fim do mês aquele cafezinho com um docinho depois do almoço? Faça as contas!

Não falo de abrir mão das coisas boas da vida e “deixar de viver” para juntar dinheiro, falo de saber equilibrar os forninhos para em sete meses, estar embarcando rumo ao destino dos sonhos. Se você é como eu, vai pensar muito antes de comprar um iPhone 6, sabendo que com esse dinheiro dá para comprar uma passagem para qualquer canto do mundo.

É muito comum ir chegando a data das férias e você decidir para onde vai viajar em cima da hora. Erro fatal! Os preços estarão lá em cima e como você não se planejou, vai ter que parcelar a viagem em sabe-se lá quantas vezes. Aquela dívida no cartão de crédito vai te acompanhar por meses e te impedir de poupar para sua próxima viagem.

Viajar com regularidade requer foco e objetivo. Essa é a sua prioridade? A vida é cheia de escolhas e se viajar é a sua prioridade, comece a pensar mais nisso antes de ter aquele descontrole no shopping e sair de lá com bolsas e mais bolsas de compras, trocar de celular a cada 6 meses ou mergulhar em dívidas para andar de carro novo.

“Está na hora de voltar ao Brasil”

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Never say never. Essa expressão vai ser meu lema de agora em diante. Por um simples motivo: há algumas semanas, eu e minha esposa decidimos voltar ao Brasil, depois de 11 anos vivendo no Canadá. Durante muito tempo, achamos que nunca mais sairíamos daqui. Até bem pouco tempo atrás, o Canadá era o lugar onde eu passaria o resto da minha vida. Brasil? Nunca mais. Era o que eu repetia para mim mesmo, e para os outros. Qualquer notícia ruim vinda dos trópicos era motivo para não voltar nunca mais. E quando você está fora, só vê as notícias ruins. Afinal, isso ajuda a justificar sua decisão. É o tal do “viés de confirmação”. E aqui estou eu, preparando as malas para voltar ao Rio. Feliz da vida. Mas como assim? Como explicar essa loucura? Tudo mudou de uma hora para outra? A decisão surgiu com um estalo: está na hora de voltar. Mas esse estalo acontece na hora em que muitas peças de um grande quebra-cabeças, que vai se formando ao longo dos anos, se encaixam de forma precisa. São fragmentos que vão se juntando aos poucos, durante meses, anos, sem que a gente perceba nitidamente. É tudo muito sutil. Mas, de repente, você vê diante dos seus olhos uma imagem clara: uma vida que parece perfeita quando vista de uma certa perspectiva passa a aparentar suas imperfeições quando vista de outro ângulo. É nesse momento que o expatriado descobre que está na hora de mudar. Mas mudar não significa necessariamente voltar. Afinal, Brasil nunca mais, não é? O problema é que, na maioria dos casos, os inconvenientes de uma vida fora do próprio país só podem ser superados voltando para a terrinha. Ir para outro lugar não é solução. E que inconvenientes são esses? O IDIOMA Passar a maior parte do tempo tendo que se expressar em uma língua que não é a sua língua materna é extenuante. Se você fala algum outro idioma, experimente um dia se comunicar apenas nessa outra língua. Agora multiplique isso por 11 anos. Você vai dizer que a gente se acostuma. Sim, é verdade, a gente se acostuma a tudo nessa vida. Mas cansa. Por mais fluente que você seja, o seu vocabulário em outra língua nunca será tão rico. Muitas vezes você percebe que o seu cérebro está fazendo um esforço incrível tentando achar palavras para expressar aquilo que, em português, já está na ponta da língua. Obviamente isso varia de pessoa para pessoa, depende do tempo que você está fora e de outros fatores. Mas é um inconveniente considerável – e insuperável. Ainda mais em um lugar onde você precisa se expressar em duas línguas que não são a sua, como é o caso do Québec, província de origem francesa, cercada de províncias de língua inglesa, onde o francês e o inglês são parte obrigatória do seu dia-a-dia. Lembro de um episódio que retrata bem a realidade de muitos que trabalham aqui. Fazia mais ou menos quatro anos que estava no Canadá, tinha terminado um projeto e estava na hora de apresentar o relatório final para o cliente. O cliente, que falava francês, tinha pedido o relatório em inglês. Três horas de apresentação. Três horas lendo o texto em inglês, processando-o na cabeça em português e falando em francês. Na hora das perguntas, o processo se invertia. No final das três horas, estava exausto, destruído fisica e mentalmente. A CULTURA Não existe sensação mais constrangedora do que entender o que as pessoas estão dizendo, entender as palavras sendo ditas, mas não compreender as referências, as intenções por trás, as sutilezas de interpretação, porque elas não fazem parte da sua cultura. São coisas que o estrangeiro, por mais conhecedor que seja do ambiente nunca vive, nunca vai entender completamente. Nenhum estrangeiro consegue entender ou visualizar as referências culturais da mesma maneira que os locais. E isso faz falta quando você deseja virar um local. Você simplesmente não tem um passado ali. Você estudou, aprendeu – mas não criou laços naturais nem memórias afetivas nascidas organicamente. Para esse lugar onde você mora, será sempre como se você tivesse nascido com 20, 30 ou 40 anos – uma pessoa com bagagem cultural e referências emocionais muito menores do que quem cresceu ali. No início, isso parece bobagem. Depois a bobagem começa a machucar, principalmente quando você se dá conta de que isso não é coisa que se aprende. Isso é coisa que se vive, que se sente, que se tem ou nao se tem. Ponto. A DISTÂNCIA Talvez esse seja o principal inconveniente. Distância da família, distância dos amigos. A internet é uma benção. O Skype e o FaceTime ajudam. Mas uma boa conversa, cara a cara, um bom abraço e um beijo, um papo gostoso em uma mesa de bar, um olhar, não podem (ainda) ser substituídos. E fazem falta. Como fazem. E não é uma visita de tempos em tempos que consegue suprir a falta do contato humano com aqueles que nos são caros. Quando dá aquela vontade de abraçar seu pai, sua mãe, um amigo querido, e saber que isso não está ao seu alcance, dá um baita aperto no peito. Quando moramos fora, temos que saber esperar. Esperar seis meses, um ano ou mais. E aprender também que o próximo encontro pode acontecer tarde demais. Poderia terminar aqui. Para mim, esses três fatores já seriam suficientes para justificar a vontade de voltar. Mas não dá para deixar de falar sobre um ponto específico de quem mora no Canadá – ou no Norte do planeta de modo geral: o frio. O Canadá é um país maravilhoso. Montreal, uma cidade incrível. No verão. Se você gosta de passar oito meses no frio, e de três a quatro meses com temperaturas dignas do Pólo Norte, não pense duas vezes, Montreal é o seu lugar. E se você gosta de mais frio, durante mais tempo, o Canadá está repleto de outras ótimas cidades procurando imigrantes. Mas se você nasceu e cresceu no calor tropical, viver com casacos, botas, luvas e outros apetrechos invernais (e infernais!), vai virando, aos poucos, ao longo dos anos, uma tortura diária sem fim. O mês de fevereiro de 2015 foi o mais frio da história, segundo o departamento de estatísticas canadense. Nem pinguim saiu de casa. Estou falando de 30 graus negativos, de domingo a domingo. Por fim, tem também o estilo de vida. Por mais que os seus valores correspondam aos valores do novo país, que é o meu caso, isso não significa que sua vida será melhor. Aos poucos, você se dá conta do que é ser brasileiro. E de que tudo aquilo que deixou para trás pode, sim, lhe fazer a maior falta. Então chega uma hora em que cada um desses detalhes, que inicialmente pareciam pequenos quando colocado lado a lado aos problemas básicos que enfrentamos no Brasil, como segurança, educação, saúde, começa a crescer e tomar proporções gigantescas. Até que você decide fazer o inimaginável quando deixou o país: deixar tudo no exterior e voltar para casa. Isoladamente, nenhum daqueles fatores lhe fariam fazer as malas. Mas juntos eles lhe fazem perceber que a construção e a manutenção da felicidade é muito mais complexa do que pensamos. A própria percepção de onde fica a sua casa, e de se saber fora de casa, pesa muito. Cada caso é diferente e cada pessoa tem a sua história. Conheço pessoas que não vão voltar nunca. Mas também conheço muitas que guardam escondido bem no fundo do peito uma vontade doida de voltar. Vou sentir falta de muitas coisas daqui, com certeza. Coisas incríveis que o Canadá me proporcionou e que me fizeram feliz durante esses anos todos. Mas a vida é feita de escolhas e de momentos. Chegou a minha hora de reviver as imperfeições do Brasil, perto da família, dos amigos, falando português, voltando a sentir calor e a brisa do mar bater no rosto.
Por Marcio Leibovitch


Trens na Alemanha

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Quando se trata de transporte, muitos turistas (principalmente meus amigos brasileiros) preferem os trens na Alemanha. O sistema de trem alemão é enorme, facil de usar e extremamente pontual (como tudo aqui).  No entanto,  prepare seu bolso, a brincadeira não é barata.  Mais de 40 mil quilômetros de vias férreas compõem a base mais importante sistema de transporte nacional da Alemanha.  Trens na Alemanha são muito limpos, confortáveis e eficientes.  Quase sempre mais caros que os aviões. Então aquela historinha de comprar o “Euro Pass”,  viajar por toda a Europa de trem, muitas vezes dormindo no proprio trem e economizando algumas diárias de hoteis é lenda.
Mesmo que muitos dos alemães ainda reclamem das altas tarifas e do atendimento dos funcionários nos trens na Alemanha, muitos turistas elegeram o sistema ferroviário alemão como um dos melhores da Europa.  Particulamente, essa eternas reclamações fazem parte da famosa “etiqueta alemã”.  A maioria dos trens na Alemanha é gerido pelo Deutsche Bahn AG , mas há também algumas linhas regionais privadas, como a Bayerische Oberland Bahn no sul da Baviera ou o Nord-Ostsee-Bahn , perto da fronteira germano-dinamarquesa.
                                        

Trens e Estações

Existem diferentes tipos de trens na Alemanha, podem parecer confuso à primeira vista.  A lista a seguir deve ajudá-lo:
  • EuroCity (CE): conectar grandes cidades, não só na Alemanha, mas também em outros países europeus. Por exemplo, há ligações regulares entre Hamburgo e Copenhagen, Berlim e Varsóvia, bem como Munique e Milan.
  • Intercity Express (ICE): na Alemanha conectar grandes áreas urbanas com horários programados.  Eles viajam muito rápido, e algumas linhas ICE oferecem serviços de bordo adicionais como hotspots WLAN, recepção móvel e entretenimento de áudio / vídeo. Portanto, eles são muitas vezes preferido pelos viajantes de negócios.
  • Intercity (IC): na Alemanha conectar algumas das cidades maiores, por exemplo, Hamburgo e Nuremberg.
  • Regional Express (RE): na Alemanha são trens regionais que param em cidades menores também.Eles são mais baratos, mas também mais lento do que as mencionadas acima.
  • Regionalbahn (RB) é o tipo mais lento de trem na Alemanha. RB trens só servem áreas limitadas e fazer inúmeras paradas em pequenas estações. Assim como os trens RE, os seus compartimentos de segunda classe pode rapidamente tornar-se lotado, especialmente na sexta-feira à noite, no fim de semana e durante a temporada de férias.
As paradas nas estações tendem a ser bastante rapidas, por isso preste muita atenção no sistema de alto-falante ou pedir a seus companheiros de viagem para alertá-lo sobre o seu local de desembarque.  As próprias estações estão ligadas à rede de transporte local ou regional.

Bilhetes e tarifas

Como eu já citei, viajar de trem na Alemanha é de fato bastante caro, especialmente se você optar por um assento de primeira classe em um trem rápido de longa distância. Por exemplo, um único passeio ICE de primeira classe, saindo de Munique para Berlim custa até EUR 219.  No entanto, existem inúmeras maneiras de conseguir um desconto para viagens de trem na Alemanha, e podemos explicar apenas alguns deles aqui:
  • Se você vai em viagens de negócios dentro da Alemanha em uma base regular, o chamado Cartão Bahn provavelmente vai te ajudar: Com este cartão de desconto personalizado, você pode economizar até 50% da tarifa regular.
  • Para viagens de longa distância, também existem as chamadas “tarifas poupança” ofertas: um número limitado de bilhetes para certas conexões são vendidos por menos de EUR 29 ou EUR 39.
  • Além disso, você pode economizar até 50% em cada passagem de volta, desde que você restringir-se a viajar em um determinado dia e fazer uma viagem de volta de e para a mesma estação.
  • Além disso, existem vários bilhetes sazonais e descontos regionais também. O Schönes-Wochenende-Ticket(Happy Weekend Ticket) e os Länder-Tickets (bilhetes de um dia regionais) são particularmente populares.

    Onde comprar o seu bilhete

    Você pode adquirir o seu bilhete no balcão, ou em uma máquina de venda automática (nem todas aceitam cartões de débito ou cartões de crédito), ou on-line . Não é mais possível comprar bilhetes a bordo trens regionais.  Se você embarcar em uma conexão regional sem um bilhete válido, lembre-se que voce estará cometendo uma infração, se o fical te pegar, alem do vexame e multa,  ele pode forçá-lo a deixar o trem na estação seguinte. Nas grandes cidades, você vai encontrar muitas vezes chamados Reisezentren (centros de viagem), bem como pelo menos uma cabine de informações com funcionários que falam Inglês. Eles podem ajudá-lo a encontrar a conexão correta, ou dar conselhos em trens na Alemanha e transporte local ou para encontrar a conexão correta.  No entanto, a venda de bilhetes em estações menores costumam ter um horário limitado e o pessoal local pode não ser tão eficiente no Inglês. Em cidades muito pequenas, não há mais a bilheteria em tudo.

  • Um dica para facilitar sua viagem de trem com horarios, conexões, mapas,..é o aplicativo do Deutsche Bahn AG (Db Bahn)
  • O trem é um meio de transporte bastante popular, especialmente durante os feriados. Assim, aconselho voce fazer reservas para viagens, especialemente durante feriados, fins de semana e na hora do rush. Caso contrário, você pode acabar sentado em sua mala ou no chão. 🙂

O que acontece quando você vive no exterior

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O texto a seguir é uma tradução de “What happens when you live abroad“, da Chelsea Fagan. 

Uma característica muito comum de pessoas que vivem no exterior é encontrá-los amontoados em bares e restaurantes, falando não apenas sobre a sua terra natal, mas sobre a experiência de sair. E por incrível que pareça, esses grupos de expatriados não são necessariamente todos dos mesmos países de origem, muitas vezes, a mera experiência de mudança de local e cultura é suficiente para conectá-los e construir as bases de uma amizade. Eu conhecia uma quantidade razoável de expatriados – de diferentes períodos de estadia – nos Estados Unidos, e é reconfortante ver que aqui na Europa, os bares de “estrangeiros” são tão predominantes e preenchidos com a mesma vibração quente e nostálgica.

Mas uma coisa que, sem dúvida, existe entre todos nós, algo que permanece não-dito em todos os nossos encontros, é o medo. Há um medo palpável em viver em um novo país, e embora seja mais agudo nos primeiros meses, até mesmo anos, da sua estadia, nunca evapora completamente ao longo do tempo. Ele simplesmente muda. A ansiedade que já foi concentrada em como você vai fazer novos amigos, se ajustar e dominar as nuances da linguagem tornou-se a questão repetida “O que eu estou perdendo?”. Conforme você se estabelece em sua nova vida e novo país, conforme o tempo passa e se torna menos uma questão de há quanto tempo você está aqui e mais uma de há quanto tempo você se foi, você percebe que a vida em casa seguiu sem você. As pessoas cresceram, mudaram, se casaram, se tornaram pessoas completamente diferentes – e você também.

É difícil negar que o ato de viver em outro país, em outro idioma, muda você fundamentalmente. Diferentes partes da sua personalidade se destacam, e você assume qualidades, maneirismos e opiniões que definem as novas pessoas ao seu redor. E não há nada de errado nisso, muitas vezes é parte da razão pela qual você partiu, em primeiro lugar. Você queria evoluir, mudar alguma coisa, para colocar-se em uma desconfortável situação nova que iria forçá-lo a entrar numa nova fase de sua vida.

Então, muitos de nós, quando deixamos nossos países de origem, queremos escapar de nós mesmos. Construímos enormes redes de pessoas, bares e cafés, de argumentos e exes e os mesmos cinco lugares de novo e de novo, dos quais sentimos que não podemos nos libertar. Há muitas pontes que foram destruídas, ou amor que se tornou azedo e feio, ou restaurantes em que você comeu tudo no menu pelo menos dez vezes – a única maneira de escapar e tornar a sua ficha limpa é a ir a algum lugar onde ninguém saiba quem você foi, e nem vá perguntar. E, embora seja extremamente refrescante e estimulante sentir que você pode ser quem você quiser ser e vir sem a bagagem do seu passado, você percebe o quanto de “você ” foi mais baseado em localização geográfica do que qualquer outra coisa.

Andar pelas ruas sozinho e jantar em mesas para um – talvez com um livro, talvez não – em que você fica sozinho por horas, dias a fio com nada além de seus próprios pensamentos. Você começa a falar sozinho, perguntando coisas a si mesmo e respondendo-as, e fazendo as atividades do dia com uma lentidão e uma apreciação que você nunca antes sequer tentou. Até ir apenas ao supermercado – estando em um empolgante lugar novo, sozinho, em um novo idioma – é uma atividade emocionante. E ter que começar do zero e reconstruir tudo, ter que reaprender a viver e realizar atividades diárias como uma criança, fundamentalmente lhe altera. Sim, o país e seu povo terão o seu próprio efeito sobre quem você é e o que você pensa, mas poucas coisas são mais profundas do que simplesmente começar de novo com o básico e confiar em si mesmo para construir uma vida de novo. Eu ainda tenho que encontrar uma pessoa que eu não ache que se acalmou com a experiência. Há uma certa quantidade de conforto e confiança que você ganha consigo mesmo quando você vai para este lugar novo e começa tudo de novo, e uma noção de que – aconteça o que acontecer no resto da sua vida – você foi capaz de dar esse passo e pousar suavemente pelo menos uma vez.

Mas existem os medos. E sim, a vida continuou sem você. E quanto mais tempo você ficar em seu novo lar, mais profundas essas mudanças se tornarão. Feriados, aniversários, casamentos – cada evento que você perde de repente se torna uma marcação em uma resma de papel sem fim. Um dia, você simplesmente olha para trás e percebe que tanta coisa aconteceu na sua ausência, que tanta coisa mudou. Você acha cada vez mais difícil iniciar conversas com as pessoas que costumavam ser alguns dos seus melhores amigos, e piadas internas se tornam cada vez mais estranhas – você se tornou um estranho. Há aqueles que ficam tanto tempo fora que nunca podem voltar. Todos nós conhecemos o expatriado que está em seu novo lar há 30 anos e que parece ter quase substituído os anos perdidos longe de sua terra natal com total imersão apaixonada em seu novo país. Sim, tecnicamente eles são imigrantes. Tecnicamente a sua certidão de nascimento iria colocá-los em uma parte diferente do mundo. Mas é inegável que qualquer que seja vida que eles deixaram em casa, eles nunca poderiam juntar todos os pedaços. Essa pessoa antiga se foi, e você percebe que a cada dia você se aproxima um pouquinho mais de você mesmo se tornar essa pessoa – mesmo se você não quiser.

Então você olha para sua vida, e os dois países que a seguram, e percebe que agora você é duas pessoas distintas. Por mais que seus países representem e preencham diferentes partes de você e o que você gosta na vida, por mais que você tenha formado laços inquebráveis com pessoas que você ama em ambos os lugares, por mais que você se sinta verdadeiramente em casa em qualquer um, você está dividido em dois. Para o resto de sua vida, ou pelo menos você se sente assim, você vai passar seu tempo em um incômodo anseio pelo outro, e esperar até que você possa voltar por pelo menos algumas semanas e mergulhar de volta à pessoa que você era lá. Leva-se muito tempo para conquistar uma nova vida para si mesmo em algum lugar novo, e isso não pode morrer, simplesmente porque você se moveu ao longo de alguns fusos horários. As pessoas que lhe acolheram no país delas e tornaram-se sua nova família, eles não vão significar menos para você quando você está longe.

Quando você vive no exterior, você percebe que, não importa onde você esteja, você sempre será um expatriado. Sempre haverá uma parte de você que está longe de sua casa e jaz adormecida até que possa respirar e viver com todas as cores de volta ao país onde ela pertence. Viver em um lugar novo é algo belo e emocionante, e pode lhe mostrar que você pode ser quem você quiser – em seus próprios termos. Pode dar-lhe o dom da liberdade, de novos começos, de curiosidade e empolgação. Mas começar de novo, entrar naquele avião, não vem sem um preço. Você não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo e, a partir de agora, você sempre ficará acordado em certas noites e pensará em todas as coisas que você está perdendo em casa.