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Ruínas do Terceiro Reich

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Esse tema é de longe o mais complicado a ser pesquisado em terras alemãs. Simplesmente porque tudo referente a II Guerra Mundial se tornou proibido. Pra você ter uma idéia, se você digitar a palavra “Hitler” no youtube, todos os videos estão bloqueados com a mensagem “conteúdo indisponível no seu país”.

Sempre fui um aficcionado pelo tema “II Guerra Mundial”. São dezenas de filmes, documentários e livros na minha estante. Tudo que envolva as batalhas e o material bélico da época, faço questão de assisitir ou ler mais e mais, tanto que um dos meus hobbys é o Plastimodelismo Militar. Sim montar e pintar “aviãozinho de guerra” (termo usado pela maioria dos leigos)

Na minha primeira visita a Alemanha, isso muito antes de pensar em morar por aqui, cheguei acreditando que iria ter acesso a todo poderio bélico remanescente da década de 40. Na primeira oportunidade, lá estava eu questionando a população local: “Onde posso encontrar tanques Panzers? E os aviões Messerschmitt ? A reação de todos era sempre a mesma, negativar com a cabeça e já mudar de assunto.
Eu não entendia o motivo de tanta antipatia e aversão. Passei a entender depois que deixei de usar o visto de turista no meu passaporte, no dia que passei a viver o dia-a-dia dos alemães.

Uma coisa é certa, tudo o que foi feito à 70 anos atrás, foi pago e continua sendo pago por todas as gerações seguintes. Acredito que isso ainda irá permanecer por mais um século. Você nunca irá ver um alemão discutindo na rua com pessoas de outras etnias. Como assim? Calma, vou explicar exemplificando com um episódio que eu já vi dentro do metro. Um grupo de adolescentes turcos gritavam dentro do metro, gritavam é uma forma de ser educado, eles estavam “zaralhando”. Um senhor alemão, se aproximou com dificuldades e pediu para que falassem um pouco mais baixo, automaticamente o grupo de adolescentes começou a gritar “Sai daqui seu nazista! Sai daqui!”. Naquele dia comecei a entender o peso da bagagem que os alemães carregam, e passei a fazer minha pesquisa sozinho, usando apenas a internet como base.

Numa dessas pesquisas, encontrei o site: http://www.thirdreichruins.com (está todo em inglês).
Depois disso foi extremamente fácil encontrar todos os prédios e ruínas da época. Era só seguir o passo-a-passo feito pelo Geoff Walden (autor do blog).

Munique teve uma grande importância, pois foi a Capital do Movimento – o berço do Partido Nazista. Durante todo o período do Terceiro Reich, Munique continuou sendo a capital espiritual do movimento nazista, com edifícios sede, museus para abrigar as formas de obras aprovadas por Adolf Hitler, além de ter sido o local escolhido para a tentativa do golpe nazista em novembro de 1923.

Vou tentar descrever esses locais históricos:

Já escrevi sobre “Eagle Nest” ou Kehlsteinhaus (em alemão) ou “Ninho da Águia”. É uma casa de montanha de Adolf Hitler situada a 1834m de altitude, no topo da montanha Kehlstein. Encomendada por Martin Bormann como um presente de Aniversário de 50 anos para o líder do Partido Nacional Socialista Adolf Hitler, tornou-se um dos destinos turísticos mais populares no sul da Alemanha.
Atualmente a Kehlsteinhaus abriga um excelente restaurante, com uma vista deslumbrante e onde encontramos os melhores e mais tradicionais pratos da Bavária. O nome de “Ninho da Águia” talvez se deva à sua localização dada a altura ser propícia para as Águias edificarem os seus ninhos, ou a Adolf Hitler ser considerado a Águia da Alemanha, ou de alguma forma remediar ao fato do brasão da Alemanha Nazista constar uma Águia. Mas admito que qualquer uma dessas hipóteses possam ser meras conjecturas minhas.

Hofbräuhaus: A mundialmente famosa cervejaria Hofbräuhaus, localizado na Platzl 9, foi palco de várias reuniões nazistas e alguns dos discursos mais memoráveis ​​de Hitler. Inclusive foi o local de um dos atentados contra Hitler.

Kriegerdenkmal: O Memorial está localizado no Hofgarten. Um grande bloco de pedra, com o slogan “Sie werden aufstehen” (Eles irão se levantar), abrange uma área com uma cripta rebaixada, mostrando uma escultura de um soldado alemão preparado para o enterro. O memorial foi erguido em 1924-1926 em memória aos 13.000 “filhos heróicos de Munique” que caíram na Primeira Guerra Mundial, entre 1914-1918. Após a Segunda Guerra Mundial, uma inscrição no memorial foi acrescentada para os 22.000 soldados mortos e 11.000 desaparecidos, além das 6.600 vítimas dos bombardeios aliados em Munique entre 1939-1945.

Löwenbräukeller: localizado na Nymphenburger Straße 4, foi outro local favorito para os primeiros encontros e discursos do Partido Nazista.

Park Café:  Localizado na Sophienstraße 7, foi construído em 1935-1937 no local do antigo Palácio de Vidro de Munique, que pegou fogo em 1931. O Park Café exibia o estilo neo-clássico preferido pelos nazistas, e era ponto de encontro frequente de Hitler.

Dachau: foi estabelecido nas dependências de uma fábrica abandonada de munição, próxima à parte nordeste da cidade de Dachau, a cerca de 15 quilômetros ao noroeste de Munique, no sul da Alemanha. Foi o primeiro campo de concentração, servindo de modelos para os demais, inclusive como centro de treinamento para os soldados da SS. Dachau chegou a abrigar mais de duzentos mil prisioneiros, sendo a maioria presos politicos, artistas e opositores ao regime nazista. Com um Estado Totalitário, não seriam aceitos aqueles que manisfestassem um pensamento ideológico contrário ao Socialismo Nacionalista de Hitler, que o mesmo afirma em sua biografia: “A lei natural de toda evolução não permite a união de dois movimentos diferentes, mas assegura a vitoria do mais forte e a criação do poder e da força do vitorioso, o que só se pode conseguir por meio de uma luta incondicional (HITLER, 2005, p.257).”

Os judeus que passaram a ser perseguidos, perderam seus direitos políticos e sociais, foram declarados inimigos políticos e consequentemente também foram enviados para Dachau.
Diferente de Auschwitz II (Birkenau), que era um Campo de Extermínio, Dachau era considerado no início, um presídio comum. No entanto, nos ultimos anos da guerra, seus presos passaram a ser fuzilados ou enforcados. Cerca de trinta mil pessoas morreram em Dachau. O campo chegou a possuir uma câmara de gás, mas não há registros de que tenha sido usada.

Minha única visita a Dachau foi feita na Primavera em um dia com Sol e Céu azul, nem por isso o clima ficou menos pesado. Com a frase “Arbeit Macht Frei” (o trabalho liberta) no portão de entrada, é impossível o visitante não se colocar no lugar de um dos 200 mil presos que por ali passaram.

Em Dachau, como em outros campos nazistas, os médicos alemães realizavam experiências médicas nos prisioneiros, tais como testes de alta altitude usando câmaras de descompressão, experimentos com malária e a tuberculose, hipotermia, e testes experimentais para novos remédios e vacinas que servissem aos alemães. Os prisioneiros também eram forçados a serem cobaias em testes de métodos de dessalinização da água e de estancamento de perda de sangue excessivo. Centenas de prisioneiros morreram ou ficaram permanentemente incapacitados como resultado destas experiências.

No dia 26 de abril de 1945, já próximo da data da chegada das Forças Norte-Americanas ao local, os Guardas da SS obrigaram mais de 7.000 prisioneiros, a maioria deles judeus, a iniciarem a chamada “marcha da morte”, uma caminhada que ia de Dachau à Tegernsee, bem mais ao sul. Durante a mencionada marcha, os guardas alemães atiravam em qualquer pessoa que não conseguísse continuar a andar; muitos outros morreram de fome, de frio e exaustão. Três dias depois, as forças norte-americanas libertaram Dachau e uma semana depois libertaram os prisioneiros sobreviventes que haviam sido levados para a marcha da morte

Monumento em homenagem aos prisioneiros que se suicidaram na cerca eletrificada.

About Leo Cunha

Olá, me chamo Leo Cunha, sou arquiteto, nascido e criado no Rio de Janeiro e morando desde 2010 em Munique (Alemanha). Além de dicas, fotos e curiosidades, tentarei expor alguns relatos de viagens que fiz e ainda faço pela região do Sul da Alemanha (Bavaria), e pela Europa. Escrevendo de forma descontraída, espero conseguir contar o que vivi, conheci e aprendi por aqui. A idéia é fazer artigos ilustrados com informações simples, fáceis e úteis a qualquer visitante. Lembrem-se, estarei relatando unicamente minha experiência e opinião. Portanto não espere um relato imparcial e completo. Além disso, nao trabalho com turismo, e nao recebo nenhum centavo por escrever qualquer artigo. Se quiser ajudar, contando sua experiência, aventura, criticando, sugerindo,..seja bem-vindo

18 responses »

  1. Vc senteiu em algum momento a energia diferente, quando estava no campo de concentração? Chega a ser carregado?

    Responder
    • Oi Vivi,

      O lugar tem uma energia pesada, completamente diferente de qualquer outro lugar que já estive.
      Independente de religião ou crença, o sujeito sente o clima negativo.
      Sentei nas ruínas antiga plataforma de trens, na frente do portão de Dachau, e fiquei por lá uns 30 minutos.
      Cheguei a pegar uma pedrinha para guardar de recordação, porém na volta pra casa achei melhor não trazer nada daquele lugar.

      Responder
  2. Thiago Leandrini

    Bom dia Leo.. Gostaria de indicações de lugares para visitar as ruínas da segunda guerra. Sou fascinado por ela mas não sei exatamente onde ir, pois moro no brasil e não gostaria de “perder a viagem” até a Europa.
    Obrigado

    Responder
    • Oi Thiago,

      O primeiro lugar que voce deveria conhecer, eu sugiro o Deutsches Museum.
      Não só o Museu principal com os aviões: BF109, Junkers,.. porem uma visita ao Deutsches Museum de Aviões. Esse segundo funciona com uma extensão para abrigar as outras dezenas de aviões do acervo alemão.
      Não pode deixar de conhecer “Eagle Nest” (Ninho da Aguia). Era a casa do Hitler nos alpes, onde ele passava as vezes 9 meses por ano. Esse lugar foi amplamente explorado no seriado Band of Brothers (Cap.10).
      Tem Dachau que foi o modelo de Campo de Trabalhos e no final um campo de exterminio de comunistas, ciganos, opositores e judeus. Eu particulamente não gosto de ir lá, porem faz parte do roteiro historico.
      Dá uma olhada nesse site: http://www.thirdreichruins.com/munich.htm
      Já consultei bastante o material que Geoff Walden publicou. Volta e meia dou uma olhada antes de ir em um novo lugar.

      Tô por aqui, na duvida é só chamar.

      Responder
  3. Parabéns pelos posts!

    Responder
  4. Conheci este blog no final do ano passado quando estava procurando por cervejas alemãs da Oktoberfest. Excelente material, li todos os posts. Agora passado um ano, fiquei surpreso quando constatei que além de cerveja e Alemanha, vc também é aficcionado pelo tema “II Guerra Mundial” e plastimodelismo. Por sinal, belo modelo este da foto, parece um dos Bf 109E-4 do Ritterkreuzträger Wolfgang Lippert? De uma olhada no meu site pode lhe interessar: http://www.luftwaffe39-45.historia.nom.br/

    Responder
    • Wooow Junior,
      Parabens pelo seu blog.
      Vou adicionar seu blog nos favoritos e indicarei aos demais interessados no tema.
      Então, esse tema “II Guerra” é visto como algo a ser esquecido pelos alemães. Tudo o que descobri foi por conta propria e pesquisando em outros blogs. Ainda sim, existem muitos lugares a serem visitados por aqui.
      Vamos mantendo contado.
      Abs,

      Leo

      Responder
      • Pois é Leo, eles viveram o “Armagedom” no final da IIGM. Depois veio o longo período de desnazificação, a separação, etc. Como vc disse, os alemães pagaram e ainda estão pagando um preço muito alto, em todos os sentidos.

        Acontece que a IIGM foi um acontecimento relativamente recente. Ainda há muita coisa a ser dita e esclarecida, principalmente do lado dos vencidos. Quando os interesses obscuros dos bastidores permitirem, quem sabe um dia chegaremos a uma história mais justa, correta, verdadeira. Uma espécie de apanhado dos dois lados, como deveria ter sido feito desde o começo.

        A verdade é que a história oficial mostra um lado só, o lado dos vencedores. Os vencidos foram crucificados, considerados culpados, responsáveis por tudo de ruim. As coisas não são bem assim não, pelo contrário…

        Adoro falar sobre esse assunto, ainda pretendo criar um blog específico, sem puxar para nenhum lado, tentar mostrar como as coisas aconteceram, ou pelo menos, chegar o mais próximo possível da verdade, sem correr o risco de ser taxado de algum termo pejorativo. Muito difícil, hoje em dia impossível.

        Bom, vou ficando por aqui, antes deixo alguns links interessantes sobre o assunto:

        http://www.hitlerpages.com/index.html

  5. Luiz Carlos Figueiredo

    Sou professor de História apaixonado por esse país. também espero viajar para a Alemanha um dia para estudar sua História mais de perto, pois minha área de estudos é esse país, sua História e sua Filosofia. Parabéns por seu trabalho.

    Responder
  6. Caro Leo,
    Espetacular seu trabalho histórico. Parabéns amigo.

    Gosto imensamente de estudar tudo que se relaciona ao tema Alemanha/Segunda Guerra/ Hitler etc…
    Tenho muito interesse em visitar a Alemanha, creio que em 2017 irei realizar essa viagem.
    Me ligo muito em tudo que é histórico.
    Abraço.
    Cordialmente,
    Erasmo Melo – Manaus – AM – Brasil

    Responder
    • Oi Erasmo,

      Agradeco o elogio e prometo me escrever mais sobre esse tema.
      Um roteiro interessante é seguir os capitulos do seriado “Band of Brothers”
      -Sainte-Mere-Eglise
      -Sainte-Marie-du-Mont
      -Culloville
      -Vierville
      -Carentan
      -Eindhoven
      -Bastogne
      -Mourmelon-le-Petit
      -Landsberg
      -Berchtesgaden
      -Zell am See (lago do final)

      Abraco e volte sempre

      Responder
  7. Eduardo Magalhães

    Olá Leo Cunha, boa tarde.
    Muito legal suas postagens. Realmente pessoas que gostam do tema II Guerra às vezes ficam meio sem uma orientação de onde ir ver os locais históricos ou não sabem exatamente onde são. Posts e/ou sites como o seu ajudam muito. Eu, sempre que vou à Europa, procuro visitar os locais importantes daquele evento, sejam locais de batalhas, locais de ocorrências histórico-politicas, desfiles, reuniões….., ou simples locais que eram frequentados pelas personalidades da época. Na verdade, não gosto muito de ir a museus propriamente. Não que não os visite, visito-os também, mas prefiro ir aos locais onde os eventos históricos ocorreram, onde normalmente há um memorial ou eventualmente nem há nada, mas simplesmente a ruína que sobrou. Em verdade, devo dizer, já conheço alguma coisa, mas há muito mais a ser visto, mesmo em locais que já visitei no passado. Comecei em 1988, com vinte e poucos anos, quando morei na Alemanha. Dentre vários locais que já conheço, como Berlin, Ravensbrück, Sachsenhausen, Varsóvia com região do gueto, Cracóvia e gueto, restos do muro do gueto, fábrica de Schindler, Auschwitz-Birkenau, Plaszow, Majdanek, Dachau…), visitei também Nürnberg, Munique e Berchtesgaden, só que não tinha todas as informações que tenho hoje. Em Munique, por exemplo, tem vários pontos que não fui em 1988, por desconhecimento ou falta de informação, assim como minha visita a Berchtesgaden poderia ter sido ainda mais rica. Em Berchtesgaden, por exemplo, visitei, claro, o Kehlsteinhaus, local belíssimo, mas que não era um local muito visitado por Hitler, não era o preferido dele. Estive nas ruínas do Berghof, bem perto do Hotel Zum Türken, mas na época tinha muito mato no local do Berghof. Aquela casa, quero dizer, o Berghof, foi explodido em 1952, mas ainda há lá as ruínas, tendo hoje até uma placa, que não tinha em 1988, indicando que ali era o Berghofsgelände e o local está um pouco mais fácil de se visitar hoje em dia, como vi em alguns videos recentemente no youtube. Não visitei também em 1988 o sistema de bunkers ali em Obersalzberg, que hoje está acessível e aberto para visitas e não visitei o caminho a pé que Hitler fazia com frequencia até a Teehaus, caminho esse (fussweg) que vemos em alguns filmes de época onde há uma grade de madeira e uma vista belíssima da região que se descortina quando se chega perto da Teehaus. A Teehaus foi demolida, restam ruínas apenas, mas o caminho a pé que Hitler fazia ainda é possível de se percorrer. Em 2014, ano passado, dentre outros locais, estive na bela cidade de Praga, onde pude visitar o local onde Heydrich foi emboscado pela resistência Tcheca e também o local onde os alemães mataram os homens da resistência que tinham matado Heydrich. Visitei também o campo de Therezinstadt. Em 2015, agora em setembro, dentre outros locais, tive a oportunidade de visitar Stalingrado, atual Volgogrado, local da maior batalha da história da humanidade em 1942 e 1943, Moscou e São Petersburgo, antiga Leningrado, que esteve cercada pelo exército nazista por 900 dias, entre 1941 e 1944, nada nem ninguém entrando ou saindo daquela cidade durante o Cerco. Terminei o passeio visitando as capitais bálticas (Tallin, Riga e Vilnius), todas essas cidades, russas e bálticas, tendo muitos locais e ruínas ligadas aos eventos da II Guerra também. Muito interessante. No próximo ano, em 2016, em agosto ou outubro, pretendo voltar a Munique e Berchtesgaden, para fazer um tour mais completo nesses locais. Irei também a Danzig, de onde é possível visitar-se o Westerplatt, local dos primeiros tiros da II Guerra, e de onde também é possível visitarem-se dois outros locais bem interessantes para quem gosta do tema. Lá perto há o campo de Stutthof, um dos primeiros instalados pelos nazistas, mais um local onde ocorreram aquelas barbaridades todas que conhecemos, e também é possível visitar-se o Wolfsschanze (covil do lobo), que fica perto da pequena cidade de Kertrzyn, cerca de 200 kms de Danzig, e que era o quartel general aberto por Hitler no meio da floresta, para acompanhar a invasão da Rússia mais de perto e onde ocorreu o atendado 20 de julho de 1944 levado a cabo por Von Stauffenberg. Depois de Danzig, voarei para a França, para visitar as praias do desembarque do dia D, na Normandia. Pensei em ir de trem de Danzig para Paris, para passar pelas ruínas e pelo museu em Peenemünde, local das pesquisas científicas de Von Braun com as bombas V 1 e V 2, mas não daria tempo. Terminarei a viagem indo de Paris para encontrar um amigo em Düsseldorf, de onde iremos visitar o que resta da famosa Ponte de Remagen, perto de Köln, onde há as ruínas e um pequeno museu. Em 2017, se tiver dinheiro e saúde……rsrsrs, penso em visitar os vários locais onde os soldados brasileiros lutaram na II Guerra, na região da Toscana e Emiglia Regiana, na Itália. É isso. Parabéns pelas postagens. Não deixe de faze-las. Muito legal mesmo.

    Responder
    • Oi Eduardo.

      Obrigado pelo elogio e fico feliz em ter leitores como voce por aqui, que ajudam o site com informacoes e experiencias.
      No lado Aliado, o tema II Guerra é conversado em mesa de bar, diferentemente acontece no lado alemao.
      Tema “proibido” e evitado por todos. Os alemaes preferem esquecer o passado, mesmo sabendo que diversar geracoes ainda irao pagar um alto preco por tudo o que foi feito.

      Como a regiao da Bavaria nao foi bombardeada com a mesma intensidade que o norte, muitos locais mantiveram-se preservados. Muitos dos quais voce citou, e tantos outros menores e menos divulgados.
      Parte russa e polonesa eu nao conheco (ainda), porem seguir o roteiro da invasao aliada é impressionante.
      Porem nesse roteiro II WW, é importante incluir: Memorial da Segunda Guerra em Caen, base de submarinos de Lorient, rio Waal em Nimegue (Operação Market Garden), Bastogne (batalha das Ardenas),..

      Vou republicar seu comentario, porem como um post. Se quiser acrescentar algo mais, fique a vontade.

      Abracos

      Leonardo

      Responder
      • Eduardo Magalhães

        Olá Leo, boa noite.

        Não pensei que fosse responder tão rápido…rsrs. Muito obrigado.

        Legal que possa colocar o que escrevi como post. Eventualmente pode servir de estímulo a outros que tenham o mesmo interesse a irem ver o que estive visitando.

        Para baratear e para ficar mais independente em termos de horários e para visitar às vezes locais onde excursões normais não vão nos períodos que desejo, procuro sempre fazer as visitas por conta própria. Só que, algumas dessas visitas a locais onde ocorreram episódios da II Guerra não são muito fáceis de se fazerem sozinho, ou porque o transporte não é simples, ou porque não se tem muita informação. Relato aqui três episódios.

        O primeiro, em 1988, quando fui a Berchtesgaden, em maio ou junho daquele ano. Naquela época não tinha internet e não tinha as formas de comunicação que temos hoje. Havia muito menos informação à disposição e até menos preparo para se receber o turista nos locais. Então, fui a Berchtesgaden basicamente para visitar o que era conhecido como o Ninho das Águias, que é o Kehlsteinhaus. Cheguei à estação de trem, vindo de Munique, se não me engano, e dali mesmo, ou de bem perto, já partia o ônibus que sobe aquela estradinha estreita, que fica fechada no inverno, e que vai até um determinado ponto de onde se toma aquele elevador dourado até o Kehlsteinhaus. Fiz a visita ao Ninho das Águias, andei um pouco ali por aqueles caminhos nas montanhas que há lá em cima e depois encerrei, tomando o elevador de volta para o local do estacionamento onde ficam os ônibus. Por sorte, ali na descida do Kehlsteinhaus, conheci um cara, um alemão, que queria visitar também as ruínas do Berghof, que eu nem sabia que eram possíveis de serem visitadas. Fiquei logicamente animado e o acompanhei. Para tanto, tínhamos que saltar numa espécie de estação intermediária naquela estradinha estreita. Saltamos e então fomos a pé até o Gasthof Zum Türken e mais adiante entramos num pedaço do mato ali exatamente onde era o Berghof e depois seguimos mais adiante por uma estradinha local, dando como que uma volta, visitando o Platerhoff, Kaserna dos SS, local onde era a casa de Göring, o que sobrou, e uma ou outra coisa a mais. Naquela época, tínhamos câmeras fotográficas, mas não era essa febre que é hoje em dia com fotografia de tudo o que é jeito, celular e etc… Tenho algumas fotos do Kehlsteinhaus e até ali das ruinas do Berghof, também do Platterhof, mas não com o detalhamento que eu hoje gostaria de ter. Acabei não visitando os bunkers, que na época acho que nem eram abertos a visitas e não fiz o caminho a pé até a Teehaus, que hoje me parece possível ainda de se fazer, com alguns pontos podendo ser reconhecidos, se compararmos com os filmes de época. Esse tipo de visita uma excursão não vai fazer. Nenhuma excursão, naquela época, ia às ruínas do Berghof. E, se não tivesse encontrado aquele alemão ali durante a visita ao Kehlsteinhaus, não teria visto as ruínas do Berghof.

        No ano passado, quando estive na Europa, no caminho de trem de Münster para Berlin, resolvi visitar o castelo de Wewelsburg, numa localidade meio isolada relativamente perto da cidade de Padderborn. Saltei do trem em Padderborn e tomei um ônibus para Wewelsburg. Levou uns 40 ou 50 minutos até um ponto de ônibus que fica numa vila há uns 15 ou 20 minutos a pé do castelo. A visita foi ótima. O castelo foi uma espécie de escola ou retiro espiritual da SS. Há algo de místico naquele castelo. Hoje parte dele é um albergue da juventude e a outra parte é um museu. Visita excelente. Depois, na volta, novamente os 20 minutos a pé até o ponto de ônibus e lá uma espera sozinho de 1 hora ou um pouco mais pelo ônibus que me levaria de volta a Padderborn, para ainda no mesmo dia seguir caminho de trem para Berlin. Essa visita não foi propriamente difícil, mas também não foi muito tranquila de se fazer, por causa da logística do transporte. No ponto de ônibus lá na cidadezinha não tem ninguém, nem para perguntar se é ali mesmo que devemos aguardar o ônibus que vai na direção de Padderborn, você fica preocupado com a questão do horário, até porque o ônibus só passa lá um certo número de vezes por dia, razão pela qual a visita ao castelo tinha, no meu caso específico, de se encaixar nos horários mais restritos do transporte, horários esses que estavam, portanto, um pouco apertados por causa da sequencia da minha viagem para Berlin ainda no mesmo dia. Visita boa, mas que há de se ter um certo desprendimento para se fazer sozinho, sem uma excursão. Local um pouco isolado.

        Por fim, na Rússia, há dois meses, já foi um pouco diferente. A infraestrutura de transporte é muito inferior à da Alemanha. Em Stalingrado, contando também o pouco tempo que eu ficaria na cidade, apenas dois dias, considerando ainda as distâncias entre os pontos interessantes a serem visitados, preferi contratar uma guia local particular. Queria ver a cidade em si, algumas ruínas e monumentos e memoriais nos locais de batalha dentro da cidade, mas desejava também visitar algumas cidadeszinhas onde houve batalhas nas chamadas “estepes” russas, quando os alemães se aproximavam para tentar tomar Stalingrado. Foi muito legal, visitei vários locais interessantes, embora nem todos necessariamente bonitos do ponto de vista estético, mas foi muito bom. Em Stalingrado e arredores, sem a guia local, não teria sido possível fazer as visitas que fiz em apenas dois dias. Com a guia e com o transporte que ela proporcionou, pude visitar muitos locais de batalhas na cidade de Stalingrado em si, bem como visitar outras localidades, como Zapadnovka, Peschanka, Kalach on Don, Pyatmorsk e Golubinskaya. Não foi muito barato, mas não tinha outro jeito, uma vez que queria ir aos locais das batalhas, tanto na cidade de Stalingrado, quanto em localidades próximas, inclusive onde houve o cerco russo aos exércitos de von Paulus, onde os exércitos russos, num movimento de pinça, isolaram von Paulus. O cerco deu-se em Pyatmorsk, perto de Kalach on Don. Há um monumento no local. Visita ótima a Stalingrado e arredores, mas impossível de se ver isso tudo se tentar-se usar o transporte normal da cidade. Logística, inclusive também por conta da língua, bastante complicada para se fazer esse passeio sozinho.

        Você me deu sugestões ótimas: o Memorial da Segunda Guerra em Caen, a base de submarinos de Lorient, o rio Waal em Nimegue, parte da Operação Market Garden, que gerou o filme Uma Ponte Longe Demais, que é a ponte de Arnhem, que os aliados não alcançaram e foram massacrados, e Bastogne, parte da batalha na floresta das Ardenas, numa das últimas contra ofensivas dos alemães na guerra, pois desde o desembarque do dia D que mais se defendiam do que atacavam. A verdade é que não há tempo de se fazer tudo. Há também ruínas da Linha Maginot, que gostaria de visitar. Mas, dessa vez, acho que será possível talvez somente o Memorial de Caen. Vamos ver…..

        Você mencionou que a Bavária foi pouco bombardeada e com isso há vários locais também não muito conhecidos ou não muito visitados, mas que têm significado no período nazista e que de certa forma estão preservados, ou como memoriais ou como museus ou como ruínas mesmo. Você poderia indicar alguns desses lugares ? Na Bavária, relacionados à II Guerra, visitei Munique e vou voltar, Berchtesgaden, que também voltarei, e Nürnberg, que também voltarei, além do campo de Flossenbürg, que não voltarei. Mas, acredito que haja outros locais bastante interessantes para serem visitados e que eventualmente não sejam muito divulgados.

        Fico antecipadamente grato e desculpo-me pela longa mensagem.

        Abraços

        Eduardo

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